• Félix Rodrigues

691 casos no país sem mortalidade acrescida (apenas 3 óbitos)

Depois de quase 32 milhões de infetados por SARS-CoV-2 no mundo, e quase 1 milhão de mortes por Covid-19, a infeção geral parece não estar a decrescer. Os Estados Unidos brevemente terão 7 milhões de infetados no seu território, a Índia 6 milhões e o Brasil 5 milhões.

Portugal anda a par e passo com a Venezuela em termos do número diário de infetados, se bem que a Venezuela nunca saiu da primeira fase e Portugal, por mais que se tente negar ou discutir fases ou ondas já vai numa terceira curva ascendente que em média é ligeiramente inferior à primeira.

Hoje voltámos a descer em infeção relativamente a ontem pois temos apenas 691 novos casos e amanhã certamente subiremos como num balouço incompreensível. A epidemia não cresce à segundas, quartas e sextas, e decresce às terças, quintas e sábados, descansando ao domingo. Os números diários estão a perder consistência. Ultrapassámos hoje, em termos oficiais a barreira dos 71 mil infetados (71156). Os óbitos continuam baixos, apenas três, sem mortalidade acrescida.

Na Europa, em termos de crescimento, a Espanha está muito descontrolada, numa fase pior do que a primeira em termos de infeção, a França, o Reino Unido, a Roménia, a Bélgica, a Holanda e a Polónia também. A Itália está mais controlada do que na primeira fase, a Alemanha e a Suécia também. Esses são os países que estão à nossa frente em numeros absolutos de infeção, todos os outros países da União Europeia estão melhores do que nós em números absolutos e neste momento. Significa isso que a infeção se pode descontrolar em alguns deles se não fizermos todos na UE um esforço para encontrar medidas eficases e capazes de minimizar a propagação do vírus, ou seja, aprendermos todos uns com os outros, adotando o que funciona e percebendo o que são erros crassos de gestão de saúde pública.

Há um princípio básico, chamado princípio da precaução, que tem sido sistematicamente violado em Portugal. Não se tomam medidas até se provar que essas medidas são cientificamente corretas. Havendo a mínima suspeita de que são cientificamente corretas e que não têm praticamente impacto na vida das pessoas, devem ser aplicadas de imediato e abandonadas caso se prove a sua ineficácia. É mais do que óbvio que o isolamento cirúrgico ou micro-espacial provoca menos impactos do que regras gerais. Não se o podendo aplicar neste momento de forma sistemática, deveria ser aplicado nos casos onde há conhecimento e informação suficiente para tomar essa decisão. Se se teme uma grande vaga, deveria começar-se a pensar na descentralização da gestão da epidemia, pelo menos ao nível municipal, mas isso, implica meios analíticos em cada município. Não os havendo, a descentralização é pior do que a centralização.

Continuamos sem ter comunicação de risco, e assistimos sistematicamente ao elencar da preocupação dos governantes com lares de idosos e escolas. Não é a preocupação que resolve problemas mas sim os meios disponíveis e a capacitação técnica. Sim, precisamos de testes rápidos, mesmo que sejam menos eficientes do que os de PCR e que possam ser aplicados por pessoas sem formação técnica, mas capazes de distinguir cores e perceber o que é que uma cor quer dizer ou pode dizer.



Félix Rodrigues

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