• Félix Rodrigues

A infecção parece controlada mas morre-se dez vezes mais por calor e poluição do que por Covid-19

Portugal tem hoje mais 186 novos casos de infeção por SARS-CoV-2, ou seja menos cerca de 36% dos casos de ontem. Os números de casos em Portugal oscilam muito, diariamente, e amanhã e Domingo tenderão a descer, o que não significa que não venhamos a subir em número de casos diários na próxima semana. Em termos globais e médios, estamos a descer esta segunda vaga em que nos encontramos. Temos até hoje acumulados 52537 casos de infeção.

No que se refere à mortalidade, temos a registar mais quatro óbitos, acumulando-se 1750 mortes por Covid-19. Se tivermos em conta o excesso de mortalidade no país na atualidade, morre-se pelo menos dez vezes mais por calor e poluição dos incêndios do que por Covid-19.



Talvez haja nesta pandemia um efeito de “perigo escondido à esquina”, pois parece que quando um país ou comunidade se convence que a controlou, ela descontrola-se de tal modo que dá muito mais trabalho do que aconteceu numa primeira vaga. Parece ser o caso do Japão, que controlou muito bem a epidemia numa primeira fase, e passou a ser um exemplo mundial, para passado pouco tempo, se descontrolar, e passar a ter uma segunda vaga muito superior à primeira (ver gráfico).



Portugal é parecido, mas com muito mais sucesso, pois a nossa segunda vaga (há quem diga que não existe, mas veja-se o gráfico) é mais baixa do que que a primeira, e aparenta estar razoavelmente controlada.



Esse controlo é periclitante, e pode vir a dar origem a uma terceira vaga, se desfocarmos a nossa atenção do perigo que está ao virar de cada esquina.

A letalidade em Portugal está nos 3,3% e no Japão nos 2,2%. O Japão vai-nos ultrapassar daqui a dias em infeção, e nós, provavelmente vamos descer em letalidade.

Continuamos em Portugal com excesso de mortalidade e isso pode e certamente se deve às temperaturas elevadas e às emissões poluentes dos incêndios florestais. O calor está a matar pelo menos 50 pessoas por dia enquanto a Covid-19 está a matar um décimo desse excesso (cerca de cinco pessoas). Além das questões de sanidade, temos que dar ênfase às condições de habitabilidades das pessoas vulneráveis ao calor e perceber os seus sintomas:

-febre alta

-pele vermelha, quente, seca e sem produção de suor

-pulsação rápida e forte

-dores de cabeça

-náuseas

-tonturas

-confusão e perda parcial ou total de consciência

-cãibras por calor

-inalação de fumo resultante de incêndios.


Félix Rodrigues

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