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A morte saiu à rua num dia assim

Estamos há meses preocupados e ocupados em salvar vidas face à pandemia com confinamentos, estudos, presenças, envelhecimentos, mortes e dívidas para pagar e, ao mesmo tempo, nos sussurros da Assembleia da República preparam uma lei para matar velhos, ou seja, para nos matarem daqui a uns anos.

Sussurros de morte cantados como libertadores e relativizados como se não fosse nada connosco, fazendo-nos esquecer que, no Estado de Direito que gostamos de aladroar, o Direito é feito nos sussurros de morte ou de vida, neste drama trágico que a liberdade que queremos nos dá pela responsabilidade e nos tira pela maldade.

Felizmente há quem faça o bem reagindo e no dia 17 uma delegação da comissão executiva da Iniciativa Popular do Referendo Sim à Vida vai à Assembleia da República para entregar as assinaturas recolhidas para promover o referendo contra a eutanásia.

Estranho que seja necessário este esforço enorme contra a eutanásia quando se trata claramente da morte de pessoas violando todos os princípios da vida e muito concretamente a Constituição da República. Viola o direito à vida e a garantia da sua inviolabilidade (artigo 24.º), viola a dignidade da pessoa humana no contexto de uma sociedade solidária (artigo 1.º, 2.º, 9.º, 12.º, 13.º e 18.º), e viola o direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover e as inerentes vinculações do Estado designadamente na proteção dos mais frágeis (artigo 64.º).

A vida é assim. Se não nos matarem à nascença desenvolvemo-nos naturalmente em idade, se nos esforçarmos, em sabedoria e, se quisermos abrir-nos ao entendimento também em Graça. Mesmo se olharmos apenas para a dimensão da idade percebemos que não a conseguimos acelerar ou retardar muito pelo que nos resta aceitar a alegria de cada uma delas, até a vida que podemos transmitir e receber de relance a alguém que se compadece de nós quando estamos moribundos. Umas das minucias grandes do Bom Samaritano que no fim da história passa a ser o próximo do moribundo.

Talvez seja para aprendermos todos a sabedoria da vida que os proponentes da eutanásia vão avançando com estas ideias a que chamamos fraturantes, mas não há resposta e saber se os que se posicionam para a vida não reflitam e hajam. Pensem sobre o que aconteceu e irá acontecer quando convivemos com a morte e solidão dos nossos e nos apercebemos da nossa morte e solidão. Nessa altura queremos ter a liberdade para estar e visitar, para limpar e alimentar, para dar festas, chorar e alegrar. Para que os filmes que nos comovem sejam connosco. Não queremos ter a liberdade para matar indefesos nem que nos matem e abandonem quando estivermos nessa situação. Não queremos que o salteado morra também porque somos levados a colocarmo- nos na sua situação.

E para termos a força dessa compaixão precisamos da Graça. António Barreto, que tem dúvidas sobre a Graça, admirava-se ontem com liberdade e empatia com o facto do voluntariado na visita aos presos e doentes; na alimentação dos pobres e na lavagem dos velhos seja feita por crentes e não por agnósticos republicanos cientes estes que a lei deve resolver e resolve esses casos. Mas a verdade é que não resolve, mas não deve impedir-nos de resolver como fará com a eutanásia. E desumanizando-nos desaparecemos. Não seria a primeira vez que civilizações pujantes desapareceram por leis desumanas.

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