• Félix Rodrigues

A sondagem da Universidade Católica sobre quem ganha ou perde as eleições nos Açores


Para começar não posso deixar de partilhar a minha sensação sobre o efeito de sondagens a quatro dias de umas eleições. Não tenho nenhum estudo objetivo sobre o assunto mas desconfio que tais sondagens, efetivamente legais, promovem a abstenção pelo que de seguida se expõe.

Se um eleitor acha que é um sacrifício votar, gere o seu sacrifício. Há pessoas que tem mobilidade reduzida quer por questões de idade ou por questões físicas. Ao ver uma sondagem com vencedores e perdedores a tão pouco tempo de umas eleições podem simplesmente pensar que não vale a pena o seu sacrifício porque o partido/pessoa em que queriam votar ganhou, e o seu voto seria apenas e tão só mais um voto a favor, ou porque o partido/pessoa em que queriam votar não elege, e o seu voto não serviria para nada. Pensa-se de facto muito que um voto é pouco, quando de facto a democracia se baseia numa contagem de voto a voto.

A sondagem foi realizada nas ilhas de São Miguel e Terceira. Isso significa logo à partida que extrapolar os resultados para as restantes sete ilhas dos Açores é inadmissível em termos teóricos e mesmo práticos em alguns casos. Isso é um grande erro da sondagem da Católica. Cada ilha tem uma realidade diferente.

Por outro lado, uma intenção de voto em São Miguel não vale o mesmo que uma intenção de voto na ilha Terceira. Estamos a falar de pesos que diferem entre si de um fator de 5. Há 5 vezes mais eleitores em São Miguel do que na Terceira. Poderíamos argumentar que não há qualquer problema teórico nisso, mas há: 5 vezes mais eleitores em São Miguel, vão eleger apenas o dobro de deputados da Terceira. Quer isso dizer que a proporção de eleitorados nas duas ilhas alvo de análise é de 5 para 1, com deputados a serem eleitos numa proporção de 2 para 1. Então à partida a sondagem que nos dá percentagens significa o quê? Significa pouco em termos da intenção de voto dos açorianos (global) num determinada força partidária.

Se admitirmos que há homogeneidade da amostra para a Terceira e São Miguel e que as percentagens estão corretas, significaria isso que o partido que governa a Região e que aparece com 45% das intenções de voto elegeria 9 deputados em São Miguel e 5 deputados na Terceira o que totaliza 14 deputados, num total de 57 deputados a serem eleitos por todas as ilhas. Ora a sondagem não pode nem deve dizer mais do que isso relativamente ao partido do Governo ou com as mesmas contas para qualquer outro partido.

Se de facto, as percentagens se podem, por mera hipótese, estender a todas as ilhas dos Açores, essa extensão não é feita com uma regra de três-simples. Se se puder estender tais resultados a todas as ilhas, a sondagem revela que a cada eleição que passa, o partido do governo está cada vez mais desgastado e com o ritmo a que vem descendo, lá para meados deste século é que teremos uma força política diferente a governar os Açores, e com essa mesma lógica, pode afirmar-se que 55% dos açorianos não querem esse partido no governo.

O que os dados da sondagem da Universidade Católica nos vêm dizer é que devemos pensar muito seriamente como votar porque não há nenhum partido que seja alternativa ao governo atual, mas que se lhes pode retirar a maioria absoluta com forças partidárias responsáveis. A sondagem também nos poderia dizer que o PSD ainda não se constitui alternativa a esse governo e que dificilmente teremos um governo de “Bloco Central” nos Açores.

A sondagem também nos diz que é importantíssimo votarmos.

Termino como comecei, deixando perguntas: Para que serve uma sondagem nesta altura do calendário eleitoral? É a sondagem da Universidade Católica representativa do eleitorado açoriano? As sondagens nestes períodos promovem ou não a abstenção?



Félix Rodrigues

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