• Tomaz Ponce Dentinho

A sustentabilidade do turismo. Ou tem densidade e qualifica-se ou é ilusão cara.

A crise do turismo associada às crises da Covid-19, somada às antigas crises localizadas criadas por desastres naturais e conflitos revelaram a necessidade de olhar para a sustentabilidade do turismo. O objectivo do artigo que acabo de submeter para publicação e que aqui traduzo o resumo, é perceber se existem lugares sustentáveis na geografia do turismo.



Para tal, primeiro analisamos a densidade espacial do turismo em Portugal e percebe-se que só em lugares com mais de 4000 turistas por 100 habitantes o turismo tem um efeito positivo no crescimento do lugar. Quer dizer só em lugares que se "prostituem" para servir os de fora é que se podem redimir com o crescimento que esse serviço permite.

E são poucos nesta situação: Loulé, Albufeira, Lagoa, Portimão e Lagos no Algarve; Funchal e Porto Santo na Madeira. Talvez outros se possam juntar como Lisboa e Porto; Fátima, Nazaré, Óbidos, Ponta Delgada, Marvão, Terras de Bouro, Manteigas, Vila do Bispo, Faial, Furnas e Flores mas não vai muito para além disso.

No Pico se houver uma concentração numa das vilas, na Graciosa numa das freguesias e na Terceira na Silveira-Fanal e no centro da cidade da Praia, talvez se criem um guetos turísticos com impacto local, mas a dispersão dentro da mesma ilha ou município e a ideia de que todos têm a mesma vocação turística é catastrófica. 4000 turistas por 100 habitantes é o mínimo para gerar crescimento nessa vocação localizada.

Para melhor comprovar esta evidência fez-se um modelo de crescimento demográfico para os municípios portugueses de forma a incluir o efeito do turismo no crescimento e testámos quais são as características de locais turísticos sustentáveis. Os resultados indicam que a escolha de cada sítio entre ser ele próprio versus ser prostituído/redimível é o desafio para o turismo sustentável, também no caso de Portugal.

Dito de outro modo, ou o turismo tem densidade e cria desenvolvimento ou é uma ilusão que custa caro na dispersão de equipamentos, infraestruturas e serviços de apoio e, naturalmente, impactos ambientais. Como em tempos aprendi com os espanhóis o turista pobre o rico, com mochila ou com mala tem exactamente o mesmo impacto positivo e negativo. O que aprendemos agora é que quando é concentrado gera crescimento e quando é disperso gera ilusão.

45 visualizações
acda_cubo.png

Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores
Canada de Belém

TERINOV - Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira - Sala B4

9700-702 Terra Chã, Angra do Heroísmo

NEWSLETTER

  • White Facebook Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Twitter Icon

© Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores