• Félix Rodrigues

Actualização Covid-19: Análise de 1 de Julho de 2020

Detetou-se hoje mais uma infeção por Covid-19 nos Açores, numa criança de 10 anos que desembarcou na ilha de São Miguel. Está associado ao último caso detetado na Região. Ao todo foram feitas de ontem para hoje 852 análises no Arquipélago.

No país temos mais três óbitos, mas com um ligeiro excesso de mortalidade relativamente aos anos anteriores que não está a ser explicado pela infeção. Totalizam-se, em termos oficiais são 1579 óbitos pela doença. Espero que não se caia na tentação de camuflar alguns óbitos e que as flutuações da curva da mortalidade geral tenham outra explicação.

São mais 313 casos de infeção no país o que acumula os 42 454 casos. Estamos em termos globais à frente das Filipinas (com 106,7 milhões de habitantes) com 38 511 casos de infeção e 1270 óbitos. Dada a velocidade de crescimento da infeção nesse país, que está numa clara segunda vaga, maior do que a primeira, brevemente nos ultrapassará.

Não há infeções nos transportes públicos, diz Marta Temido. Aguardamos o estudo que valide tal conclusão. Se tal estudo foi feito resulta de perceções ou de um planeamento estatístico? Qual foi o delineamento experimental? Em todo o lado os transportes públicos são “espaços” de contaminação. Se em Portugal não o são, será interessante publicar isso numa revista científica.

Continuamos a baixar a nossa Esperança Média de Vida e devia ser aí que a tónica da infeção por SARS-CoV-2 deveria ser colocada e não em assintomáticos e morte de velhinhos, como se os velhinhos não fossem pais de ninguém, avós de alguém e família de muitos.

A situação do SARS-CoV-2 no mundo tem alguns paralelos com a pandemia da SIDA que para combatê-la foi preciso alterar comportamentos e compreendê-la melhor. Continua sem vacina tal como o SARS-CoV-2.

Para termos alguma comparação objetiva entre essas duas doenças, vamos a alguns números:

-Na década de 90, um quarto da população do Botswana com idades entre os 15 e os 49 anos tinha SIDA. Numa década a Esperança Média de Vida desse país passou dos 61 anos para os 50 anos. Os velhos passaram a ter idades entre os 40 e os 50 anos.

-Até 2018, trinta e dois milhões de pessoas morreram com SIDA e, atualmente, temos uma taxa de infeção de 1,3 milhões de pessoas por ano, mas a mortalidade tem descido muito devido a tratamentos mais adequados.

Qual é então a situação do SARS-CoV-2:

-Temos cerca de 10,5 milhões de pessoas infetadas em seis meses, com possibilidade de quintuplicar até ao final do ano se nada for feito, ou seja, um número muito superior ao da SIDA. A mortalidade, se se mantiver a taxa atual (mais de meio milhão na atualidade), teremos cerca 2,5 milhões de óbitos num ano, muito superior aos da SIDA. Ao fim de 25 anos, o tempo necessário para se conseguir a imunidade de grupo nos países medianamente infetados, provocaria, numa estimativa exagerada, cerca de 62,5 milhões de mortes, caso não haja vacina como acontece com a SIDA.

As consequências de tudo isso é o abaixamento da Esperança Média de Vida da população Mundial. O facto de alguns países africanos terem baixas taxas de letalidade, deve-se certamente ao facto de terem populações muito jovens, como tal menos suscetíveis à doença.

Todos necessitamos de alterar comportamentos e contribuir para o controlo das infeções. Há milhentas formas de o fazer, mas o processo mais adequado é com conhecimento científico e participação de toda a sociedade.


Félix Rodrigues


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