• Félix Rodrigues

Análise da SARS-CoV-2 em Portugal (14/7/2020): Por cada óbito parece existir outro correlacionado

Hoje ultrapassamos em Portugal a marca dos 47 000 infetados com SARS-CoV-2 no país (47051) com mais 233 novos casos de infeção. Estamos com uma tendência decrescente nesta semana comparada com a semana passada. Relativamente ao número de óbitos hoje são mais 6, o que totaliza 1668 óbitos desde o início conhecido da epidemia no país.

Tenho referido nos meus últimos “posts”, sobre a letalidade do Covid-19 e o excesso real de mortalidade, que nalguns países esta é superior aos óbitos diagnosticados com a doença. É evidente que escaparão às análises alguns óbitos, mas que se calculam pelo excesso de mortalidade relativamente aos anos anteriores. O Financial Times mais uma vez faz essas contas para vários países e verifica que são muito poucos aqueles que não têm excesso de mortalidade (da lista restrita que publicam). Não há excesso de mortalidade no período da pandemia na Islândia, Israel e Noruega.

Os valores registados para os restantes países são superiores ao normal, ou seja há mais gente a morrer no mesmo período provavelmente como resultado de confinamento e de apoio médico deslocado para tratar Covid-19. Em Portugal temos até agora um excesso de mortalidade de 3500 óbitos, mas só 1668 foram óbitos por Covid-19. Significa isso que temos mais óbitos provavelmente associados a políticas de saúde e a falta de apoio médico (1832 óbitos) do que por Covid-19.

Ontem referia um estudo que dizia que há que acrescentar 35% da mortalidade por Covid-19 nos Estados Unidos para explicar o excesso verificado. Relativamente a Portugal, e estando os números corretos, parece que, por cada doente de Covid-19 que morre, há outro que também morre por falta de cuidados médicos.

Tal como referia ontem, a nível mundial já ultrapassamos os 13 milhões de infetados, com o Brasil a caminhar para os dois milhões de infetados no seu território e a Índia a caminhar para o seu primeiro milhão de infetados.

Também como referia ontem e anteontem, mais um país da América Latina nos passou à frente na tabela de infeção mundial, o Panamá, com 47173 infetados e 932 óbitos. A taxa de letalidade no Panamá é menor do que a taxa de letalidade Portuguesa.

Somos perseguidos nessa tabela por Singapura que ontem voltou a ter um descontrolo semelhante ao português. Segue-se a Singapura a República Dominicana (10,63 milhões de habitantes), com 45506 infetados e 26 óbitos, ou seja, com uma letalidade oficial extremamente baixa. Dada a velocidade de crescimento da infeção nesse país, muito brevemente a República Dominicana ultrapassará Portugal na tabela mundial da infeção.

À República Dominicana segue-se Israel (8,88 milhões de habitantes), que está numa segunda onda muito mais forte do que a primeira. Possui 40632 infetados e 368 óbitos, ou seja, com uma taxa de letalidade muito inferior à Portuguesa. Essa letalidade baixa é muito credível pois Israel é um dos países que não apresenta excesso de mortalidade global relativamente a anos anteriores. Brevemente Israel ultrapassará Portugal dada a velocidade de crescimento da infeção nesse país quando comparada com a portuguesa.


Félix Rodrigues


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