• Félix Rodrigues

Análise diária à infecção de SARS-CoV-2 em Portugal: 2 de Julho de 2020

Nos Açores não existem hoje resultados positivos de Covid-19, após a realização de 900 análises. Isso constitui-se mais uma prova de que não é o testar que enviesa os números da infecção. Se existem casos positivos é porque eles estão dispersos na comunidade.

No território continental temos hoje mais 328 infetados, totalizando 42 782 casos, numa tendência que não se afasta do comportamento matemático das duas últimas semanas. O número de óbitos tem crescido pouco (hoje 8 óbitos totalizando 1587 mortes) o que significa que nesta fase a letalidade continua relativamente baixa 3,7% e tem estado a descer.

A nível global e tal como referido ontem, o Omã ultrapassou-nos em número de infectados, apesar de ter cerca de metade da população de Portugal, o que significa que a infecção nesse país está acelerada. Somos perseguidos pelas Filipinas que também em breve nos ultrapassarão.

Há dados novos sobre a infecção todos os dias, por exemplo: dois grupos de investigadores dos EUA referem ter encontrado cerca de 300 casos de um aparente efeito colateral alarmante do Covid-19 em crianças. Trata-se da doença designada por síndrome da inflamação multissistémica, ou MIS-C. Embora tal doença já tenha sido referida em artigos científicos anteriores e na comunicação social só agora existe uma primeira tentativa de avaliar a frequência com que esse efeito colateral ocorre em crianças. 80% das crianças que desenvolveram a doença necessitaram de cuidados intensivos, 20% necessitaram de ventilação mecânica e 2%, morreram. Não devemos pensar que as crianças estão totalmente protegidas contra este vírus. Há riscos que podem ser graves, o que não conhecemos ainda muito bem é a percentagem de crianças que existem no mundo, no total global de infectados.

Preocupante também é o novo vírus (G4 EA H1N1) identificado por cientistas chineses e que começa a preocupar as autoridades de saúde do mundo inteiro. Trata-se de um patógeno encontrado em porcos que é um subtipo de um vírus influenza descoberto ainda em 2016 em dez regiões diferentes da China, todas com criação de porcos. Os pesquisadores pedem a contenção imediata da doença para evitar uma nova pandemia. Esperemos que o mundo os ouça.


Félix Rodrigues


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