• Félix Rodrigues

Análise diária da Covid-19 em Portugal (7/7/2020): E o futuro?

Hoje como ontem não há novos casos de infecção registados nos Açores, após 888 análises. No país, temos mais 287 novos casos e 9 óbitos.

Ontem referia que tínhamos que esperar que passasse o “efeito de fim de semana” para verificar se efetivamente estávamos a ter algum efeito consistente de decrescimento na infeção portuguesa desde meados da semana passada. De facto os números crescem de ontem para hoje, mas isso não significa um aumento de número de casos, significa apenas que os “funcionários públicos das análises” voltaram à rotina exigida. Aparenta de facto estarmos a começar a decrescer lentamente na infeção desta última fase, com um total acumulado de número de casos, que hoje, atinge os 44416.

No que se refere ao número de óbitos, em média tem crescido, totalizando hoje 1629 óbitos, mas a letalidade em Portugal tem-se mantido relativamente constante nos 3,67%, praticamente idêntica à letalidade do país que nos persegue no ranking mundial da infeção, a Bolívia, com uma taxa de letalidade de 3,64%.

A Bolívia tem uma população (11,35 milhões) sensivelmente idêntica à de Portugal (10,28 milhões) e no que se refere à infeção tem 40509 casos oficiais registados e 1476 óbitos. A Bolívia brevemente ultrapassará o nosso país nessa tabela mundial porque cresce exponencialmente em termos de infeção.

Olhando para a Europa e para o desenvolvimento do contágio da SARS-CoV-2, a forma como estamos é provavelmente a forma como vamos ficar durante vários anos, com focos de infeção mais ou menos controlados numa curva mais ou menos sinusoidal atenuada. Várias vagas, várias ondas, várias ondinhas…..aquilo que quisermos chamar continuará a acontecer enquanto sonhamos com a quimera de uma vacina que resolve tudo. A infecção continuará à esquina à espera do desprotegido, do super-homem que perde os poderes não com kryptonite, mas sim com um prião, ou para tornar isso mais vanguardista, com um príon proteinaceous. Temos de facto de pensar seriamente no futuro.

Todas as economias terão que se adaptar a novos modelos de funcionamento. Estamos a adaptar-nos? Essa ideia de adaptação é defendida pelo “The Economist”, mas para isso é preciso que a política se faça de outro modo: É preciso romper com a continuidade de muitas das “ações políticas quiçá ideológicas”, mas é extremamente perigoso cairmos nos “extremismos”. Os extremismos são extremamente ideológicos e a realidade é pragmática. Temos visto eleições cujos resultados parecem estar dependentes da boa gestão da pandemia e provavelmente poderemos ver resultados eleitorais que penalizarão essa má gestão: A Covid-19 veio para ficar e as pessoas vão ter que se adaptar. A adaptação exige olhar-se para performances diferentes das regiões de um país onde nem todo o território estará acessível em todo e qualquer momento.

De acordo com um estudo do MIT, o pior está para vir, numa altura em que os Estados Unidos da América caminham para o terceiro milhão de infetados que ocorrerá dentro de um dia ou dois dada a aceleração da infeção que aí se verifica. Com base em estudos realizados em 84 países diferentes, calcula-se que, por cada caso positivo, 12 não foram contabilizados e por cada duas mortes oficiais de Covid-19 um terço é atribuído a outras causas. Significaria isso que se esse padrão se aplicar a Portugal, teríamos neste momento 529 548 pessoas infetadas no país. Esse número é avassalador e só o conheceremos bem com testes sorológicos.

Fazendo as contas para o número de mortes em Portugal, tendo em conta essas proporções do MIT, teríamos 2160 mortes por Covid-19 no país, e esse número, é perfeitamente justificado com o excesso de mortalidade global que temos desde o início da pandemia, relativamente aos anos anteriores.

Diz ainda o estudo do MIT, que sem avanços médicos/farmacológicos, o número total de casos de infeção no mundo chegará a valores entre 200 milhões a 600 milhões de infetados na primavera de 2021, o que significa que terão morrido um número de pessoas situado entre os 1,4 milhões e os 3,7 milhões. Apesar desses números avassaladores, nessa altura (Primavera de 2021) 90% da população mundial ainda estará vulnerável à infecção, e isso ainda é pior se a imunidade for transitória.

É tempo de se olhar para o futuro em vez de andarmos neste momento a discutir corredores verdes na Europa, o que não significa que não se deva fazê-lo, mas o maior esforço não deve ser colocado aí, mas sim no futuro, porque os dados de hoje, serão diferentes dos dados de amanhã. As regras de hoje de alguns países, penalizá-los-ão amanhã.



Félix Rodrigues

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