• Félix Rodrigues

Análise diária da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal (12/7/2020): Não se atingirá a imunidade.

Temos hoje em Portugal mais 291 novos casos de infeção por SARS-CoV-2 totalizando-se os 46512 infetados no país. Tal número é em termos absolutos uma descida em relação aos últimos dias, mas desenganemo-nos porque a realidade da infeção só terá um retrato mais fiável na próxima terça-feira, dado o claro e continuado “efeito de fim de semana” que se traduz numa redução da realização de testes e no número de comunicações das infeções.

Relativamente ao número de óbitos, temos hoje mais 6, totalizando-se no país 1660 mortes, o que corresponde a uma taxa de letalidade de 3,6% com tendência para reduzir ligeiramente.

A nível global, ultrapassámos, tal como previa anteontem, o número de infetados de Singapura e brevemente, se continuarmos com o descontrolo, ultrapassaremos o número de infetados da Holanda.

Também tal como previ anteriormente fomos ultrapassados por mais um país da América Latina, a Bolívia, tanto em número de infetados (47200 casos) como em número de óbitos (1754 mortes). Esse país tem uma letalidade de 3,7%, ligeiramente superior à portuguesa. Se a fotografia fosse a de hoje, nós e a Bolívia seríamos idênticos em infetados e óbitos, mas só estamos melhor, porque o nosso número diário de casos é menor. Ora, se queremos dizer que estamos melhor do que a Bolívia, esse critério dirá também que aqueles países que nos tem na lista negra, estão melhores do que nós, mesmo que tivessem o mesmo número acumulado de casos e de óbitos por 100 000 habitantes.

Somos agora seguidos na tabela da infeção mundial por Singapura, que tenderá a descer e pelo Panamá (com 4,177 milhões de habitantes) que possui neste momento 44332 casos de infeção e 893 óbitos, que tenderá a subir, dada a velocidade de infeção nesse país. Seremos brevemente ultrapassados pelo Panamá.

Continuo a ver pessoas a achar que é muito bom infetar-nos todos porque assim chegaríamos a uma imunidade de grupo. Talvez seja por isso que a maioria dos portugueses não respeita as distâncias de segurança nos supermercados, centros comerciais, ou ainda nem aprendeu a usar a máscara, pois um número significativo prende-a só na orelha e quando colocada em frente à boca, não tapa o nariz. Perante isso aqui vai uma notícia pouco animadora:

O maior estudo europeu sobre imunidade de grupo fez-se em Espanha e revelou que apenas 5% da população desenvolveu anticorpos, indicando que a imunidade de grupo não se conseguirá nunca atingir. Quer isso dizer que pelo menos 95% da população Espanhola continua vulnerável ao vírus e que este continuará a circular na comunidade com a mesma infecciosidade. Isso será diferente do que acontecerá em Portugal?


Félix Rodrigues


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