• Félix Rodrigues

Análise diária da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal (23/7/2020): O nosso dilema económico

Hoje descemos ligeiramente em número de infetados diários por SARS-CoV-2 relativamente a ontem. Temos apenas 229 novos casos, o que significa um decrescimento de 9%, o que é manifestamente pouco. Temos acumulado 49379 casos de infeção no país.

O número de mortes diárias também baixou de ontem para hoje, havendo apenas 3 óbitos. Acumulam-se assim 1705 óbitos em Portugal.

Em média estamos parecidos com a semana passada.

Entramos em mais umas quantas listas negras do turismo e assim continuaremos até que os países que nos colocam na lista negra aumentem a infeção, e se isso acontecer, deveremos ser nós a coloca-los nas nossas listas negras.

Não percebo a razão de em vez de pensarmos num país como um todo, não o pensamos em regiões. Por exemplo, as regiões autónomas estão melhores que toda a Europa, mas insistimos em defender o todo nacional, quando não há continuidade territorial entre o continente e as ilhas. Também não se percebe porque não discutimos o desvio de voos para o norte e sul do país em vez de queremos garantir que o turista terá que passar por Lisboa. Há aeroportos em Faro e Porto. Isso implica uma visão equilibrada entre saúde pública e economia. Desde que desconfinamos só pensamos na economia e esquecemos a saúde pública e a imagem que ela dá daquilo que somos. Desconfinámos mal. Temos que assumi-lo e corrigir rapidamente a situação.

Centramos agora e mais uma vez a discussão nos fundos da Europa. Estamos sempre a pensar onde ir buscar dinheiro em vez de pensarmos como se resolvem os problemas. Esse dinheiro da Europa é para fazer funcionar a economia que só arranca se houver saúde pública.

Como funcionará o fundo de recuperação económica UE no período pós confinamento? E existem vencedores e perdedores?

Serão vários biliões de euros que serão distribuídos entre os países da EU. Há acordo entre todos os 27 membros da União Europeia e os britânicos já não existem para se oporem tanto aos frugais como aos países do sul.

Trata-se de algo histórico, não só porque nunca tínhamos visto nada igual como esta pandemia, mas também isso é único do ponto de vista político. No fundo, o fundo, serve para ajudar a tornar mais fácil a vida dos países que mais sofreram e sofrem com a pandemia, mas também garantir a sustentabilidade socioeconómica dos todos.

E para quem vai esse dinheiro? Vai para os europeus do sul, como Itália, Espanha e Portugal. Mas também vai para os europeus de Leste. É aí que começamos a ver alguns problemas com países como a Hungria e a Polónia que cada vez se afastam mais dos ideias europeus e democráticos.

Se formos ver infeções e mortes, a Polónia está melhor, neste momento do que Portugal e a Hungria nem se fala (tem apenas 4380 infetados e 596 mortes).

Ora não é o efeito na saúde pública da EU que está em causa com o fundo mencionado, mas sim o efeito económico do confinamento.

Os países mais ricos, ditos frugais, dizem: "…bem, não daremos esse dinheiro a todos os países a menos que possamos garantir que todos que o obtêm estejam alinhados politicamente". Isso é uma intenção política e não económica, mas uma coisa não está ligada à outra? A EU não é um projeto político comum?

Ou temos um projeto europeu comum, ou cada um vai à sua vida sozinho e se tal acontecer, todos os países saem prejudicados.

A pandemia de coronavírus apresenta desafios especiais para as áreas urbanas do mundo- não apenas na saúde pública, mas também de funcionamento das grandes cidades. A pandemia obriga a gerir a crise de saúde pública com uma lógica de “região” sem esquecer o interesse global.

O desafio é global e percebe-se que os sistemas de saúde de alguns países terão que ser drasticamente melhorados, pois caso contrário, as economias ressentir-se-ão.



Félix Rodrigues

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