• Félix Rodrigues

Análise diária da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal (5/7/2020)

Portugal registou hoje mais 328 novos casos de Covid-19 no país e mais 9 óbitos por essa doença. Não há novos casos nos Açores.

Parece haver hoje uma redução no número de casos de anteontem e ontem para hoje, mas dado o “efeito de fim de semana”, só na terça-feira teremos um retrato mais adequado da infecção no país. Totalizam-se agora 43897 casos acumulados de infecção em Portugal por SARS-CoV-2. O número de novos casos de hoje é exactamente igual ao número de casos da quinta-feira passada. Estranha coincidência! Espera-se que esse número de novos casos não seja uma previsão, mas sim resultados reais.

A mortalidade atinge os 1614 óbitos acumulados, com uma tendência média de crescimento relativamente à semana passada. A mortalidade global nesta altura do ano tem-se mantido dentro dos parâmetros normais, sendo sempre maior do que noutras alturas porque se parece (apesar de não ser estatisticamente significativa a correlação) correlacionar com a época de incêndios no país.

Esperávamos com expectativa os dados dos Açores para sabermos se o turista infetado que chegou às Flores tinha infetado mais alguém. Após 938 análises, nenhuma delas deu positiva, o que significa não haver nenhum novo caso positivo no arquipélago.

Viajar, como o fizemos até agora, será radicalmente alterado. Quem não percebeu ainda isso, verá que num futuro próximo será necessário um novo passaporte, que lhe podemos chamar de “Passaporte da Imunidade”, onde ninguém entrará num outro território sem demonstrar que é “bioseguro”.

Se tivéssemos uma visão de futuro, como se exige dos políticos e das políticas, verificaríamos que não nos interessa nada ter turismo sem biossegurança e o que está em causa não é termos turistas ingleses no país mas sim termos turistas com “Passaporte de Imunidade” sejam eles Ingleses ou outros. Basta um turista infetado para fechar um hotel. Assim, deveríamos preferir ter apenas meio-hotel ocupado com razoável certeza que ninguém está infetado, do que tê-lo completamente cheio, mas para isso temos que “desinfetar-nos” antes. Não se pense que a aviação ou os transportes públicos vão arranjar uma tecnologia que detete todas as doenças infecto-contagiosas que um indivíduo pode transmitir. Isso é impossível e se o conseguirmos, daremos um salto tão grande em termos técnicos e científicos como se viajássemos no tempo desde o dia de hoje até à mesma data do século XXXI.

Por outro lado, nem neste século nem nos próximos, a biosegurança será possível com turistas que facilmente ficam alcoolizados, pois numa condição dessas não há qualquer distância de segurança.

Para nos “desinfetarmos” precisamos perceber o que fizemos e qual a trajetória que seguimos.

Começámos com a trajetória a azul, que seria desastrosa se nada tivéssemos feito, especialmente no Porto e Lisboa. Passámos para a trajetória cor de vinho que começou a achatar a curva. Continuámos a achatar a curva epidemiológica fugindo às trajetórias verde e laranja. Esperámos pelo controlo que estava claro na trajetória a negro. Desconfinámos cedo de mais, no ponto onde começa a trajetória a vermelho. Era suposto crescermos, mas nem tanto, pois estamos a crescer com a trajetória de cor púrpura.

Em termos mundiais, a aceleração da infeção nas Filipinas é maior do que aquela que se estimou e já passou à frente de Portugal, tal como anteriormente se tinha referido. O número acumulado de infetados hoje nesse país é de 44254 caso com um acumulado de 1297 óbitos e uma taxa de letalidade de 2,9%, menor do que a portuguesa (3,7%). Essa diferença pode ser explicada pela juventude da população Filipina face à velhice da população portuguesa.

Somos agora seguidos pela Bolívia (país com 11,35 milhões de habitantes) que apresenta uma aceleração da infeção, em nada comparada com a portuguesa, por isso rapidamente nos ultrapassará. Esse país tem neste momento 38071 casos de infeção e 1378 óbitos.

Félix Rodrigues

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