• Félix Rodrigues

Análise diária da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal (8/7/2020)

Hoje tivemos uma subida aparentemente repentina do número de novos casos em Portugal. Ontem estávamos esperançosos, hoje estamos apreensivos: São mais 443 novos casos o que totaliza 44859 casos acumulados. Não se percebe como é que um número desses aparece de um dia para o outro no país, a não ser que que tenham ocorrido contágios em grupos grandes, tipo “agrupamentos” ou festas. Por outro lado, as oscilações destes últimos dias têm sido um pouco incompreensíveis.

Felizmente o número de mortes de ontem para hoje é baixo (apenas 2) e não corresponde à totalidade de óbitos que foi anunciada em notícias separadas por diferentes órgãos de comunicação social. Isso não faz sentido, pelo que havendo ajustes, amanhã teremos um número anormal de mortes. Isso é mau em termos de imagem pública. O acumulado de óbitos situa-se hoje nos 1631.

Relativamente à Pandemia por SARS-CoV-2 continuamos sem grandes respostas a algumas questões científicas que desde o início tem levado a comportamentos mais ou menos irresponsáveis de algumas figuras de Estados, como a de Bolsonaro, ou como diz uma concorrente portuguesa do "Quem quer ser Milionário?”, de seu nome “Fora Bolsonaro”.

Quão mortal é o vírus? A letalidade varia tanto de país para país que se tem dificuldade de perceber se a baixa letalidade tem ou não explicações genéticas ou comportamentais, como por exemplo, hábitos alimentares, tabagismo, alcoolismo, etc. Assim, alguns vão continuar a dizer que se trata de uma gripezinha. No caso do Brasil, a gripezinha tem estado a matar 4% dos infetados, mas no Reino Unido matou até agora 15,5% dos infetados. Essa diferença é abismal.

Outra questão prende-se com uma vacina eficaz e que consiga “tourear” a mutação do vírus. Desde o início da pandemia que se desenvolveram cerca de 200 potenciais vacinas, prevendo-se que se possa provar que uma delas é eficaz até ao final deste ano. Se assim for, não se evitará o crescimento mundial da infeção pelo vírus e os cenários que apresentei ontem para a Primavera de 2021, mantêm-se. Isso também dependerá da atitude de Trump e dos Estados Unidos, se comprará ou não todas as vacinas para evitar que se ultrapasse só nos Estados Unidos, cerca de meio milhão de mortes.

Por que razão, pessoas da mesma idade sem aparentes problemas de saúde, têm sintomatologias muito diferentes quando infectados? A genética aponta para algumas respostas, mas até agora nenhuma se provou ser eficaz.

Outra das grandes questões em torno dessa pandemia é a duração da imunidade. Quanto tempo depois de um indivíduo ter sido infetado e “conquistado” a imunidade volta a perdê-la? Se a perde, como é que alguma vez se atingirá a imunidade de grupo?

Quanto tempo leva o vírus a sofrer mutações? Isso torna-o mais “agressivo” ou “menos agressivo”? Como reagirão as pessoas que possam vir a ser co-infetadas com dois vírus em simultâneo (o novo coronavírus e o vírus da gripe)? Estudos recentes apontam para que um “vírus europeu” mais agressivo do que no início.

Era muito importante que se conseguisse responder à pergunta inicial dessa pandemia: Qual é a origem do vírus ou o seu reservatório. Ainda continuamos no escuro, se bem que o número de teorias da conspiração têm vindo a diminuir.

Independentemente de sabermos ou não responder a essas questões, o que é certo é que hoje os Estados Unidos atingem oficialmente os 3 milhões de infetados, com quase o dobro da infeção no Brasil, e os 132 mil óbitos americanos, também são sensivelmente o dobro do número de mortes no Brasil pela mesma doença.

Entra as pessoas que não me produziriam ou produzem nenhuma empatia se forem infetadas encontram-se Trump, Bolsonaro e Boris Johnson. O último já foi. O penúltimo parece que está. Para o último não deve faltar muito tempo.


Félix Rodrigues


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