• Félix Rodrigues

Análise diária da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal: Tendência decrescente no país

Ontem tivemos dois casos positivos nos Açores, na ilha de São Miguel, de um indivíduo que chegou numa embarcação e de outro que viajou por via aérea. Ambos os casos e respetivos contactos estão confinados ou sob controlo.

Parece que hoje se verifica, consistentemente, uma diminuição do número de casos diários de infetados em Portugal por SARS-CoV-2. Nesta semana não se verificou o “efeito de fim de semana”. Apesar da descida de ontem para hoje ser de apenas 6% dos casos, a de anteontem para ontem foi substancial. Totalizamos assim 48898 casos de infeção em Portugal.

No que se refere ao número de óbitos, temos hoje mais 6 o que totaliza 1697 mortes por Covid-19 no país.

Portugal aproxima-se da Holanda e tenderá a ultrapassar esse país em número de infetados mas não em número de mortes, se mantivermos a taxa média de infetados diários da última semana. De facto tanto a Holanda que está à nossa frente em infeção, como Singapura e Polónia que estão atrás, têm médias diárias de novos casos muito próximas da portuguesa.

Atrás da Polónia segue-se a Roménia (com 19,41 milhões de habitantes) com 39133 casos de infeção e 2074 óbitos. A letalidade da Roménia é 2% acima da de Portugal (3,3%). Dada a velocidade de crescimento da infeção na Roménia, é bem possível que esse país nos passe à frente, tanto em número de infetados como em número de óbitos.

A atual pandemia de SARS-CoV-2 tem uma provável conexão com morcegos, e o próximo surto viral provavelmente também ocorrerá, a menos que os cientistas possam aprender rapidamente mais sobre os milhares de vírus transportados por um dos mamíferos mais diversos do planeta.

Há já várias evidências ligam diferentes espécies de morcegos a surtos de SARS, MERS, alguns vírus de Ébola, bem como os vírus Marbug, de Hendra, de Sosuga ou de Nipah. Ao que parece, nós e os morcegos não somos compatíveis com os mesmos vírus. É talvez por isso que os estudos sobre a biologia molecular dos morcegos e a sua ecologia estão na moda, para ajudar a prever e, esperançosamente, impedir uma próxima pandemia. Mas conhecer mais, não implica que se evite mais, pois já conhecíamos muito relativamente ao SARS e como comunidade global pouco fizemos e continuamos a fazer. Cada país fecha-se no seu casulo e pouco mais lhe interessa o que está fora dele. Não há OMS capaz de orientar determinados poderes políticos.

Existem mais de 1.400 espécies de morcegos no mundo e nem todos são perigosos ou possuem vírus que se podem transmitir aos humanos. Até nos Açores temos um morceguinho que é só nosso e na Europa há vários morcegos endémicos.

O que está em causa no estudo com morcegos é ir além da descoberta e usar as mais recentes tecnologias genéticas para entender melhor como os vírus podem ser transmitidos, não é uma perseguição aos morcegos. Eles continuam a fazer muita falta nos ecossistemas. O problema também está nos ecossistemas que vamos invadindo e destruindo.

Ora esse conhecimento sobre possíveis patógenos em morcegos pode aumentar a capacidade de desenvolver medicamentos após a descoberta de um agente patógeno - ou, melhor ainda, criar vacinas para nos proteger contra grupos de vírus antes de eles surgirem. Isso é pensar à frente, tal como a política deveria pensar.


Félix Rodrigues


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