• Tomaz Ponce Dentinho

As três facetas do populismo



De acordo com um artigo recentemente publicado por Andrés Rodriguez Pose https://ppr.lse.ac.uk/articles/10.31389/lseppr.4/ que esteve em Angra do Heroísmo no Congresso da APDR http://www.apdr.pt/congresso/2020/index.html , os partidos populistas que tendem a ganhar peso em regiões que perdem importância económica no conjunto do país.

Por outro lado, de acordo com o autor, há três aspectos que caracterizam os programas dos partidos populistas independentemente de serem de esquerda ou de direita.

Em primeiro lugar, os partidos populistas são naturalmente simplistas dividindo a sociedade entre os cidadãos "comuns" e "decentes" contra aqueles "no topo" e "de fora". Os comuns e decentes são os votantes mobilizáveis para o voto nesses partidos. Os outros são políticos corruptos atacados pela direita populista e os ricos ladrões atazanados pela direita populista.

Em segundo ligar o populismo tende a exacerbar o antagonismo face aos emigrantes. Em Portugal isso manifesta-se sobretudo face aos ciganos, tem pouco resultado face aos lojistas chineses, mas de vez em quando pode funcionar face aos emigrantes africanos e brasileiros. A esquerda populista não entra neste domínio, mas a direita populista não tem vergonha de fazer disso uma bandeira se tal o ajudar a ganhar votos.

Finalmente, o terceiro pilar do populismo é o nacionalismo que se tem consubstanciado no antagonismo face à União Europeia já que não é razoável fazerem-no face a países concretos onde há tantos emigrantes na Inglaterra, em Espanha, na França e na Alemanha. Também em Portugal a faceta populista do nacionalismo não é tanto contra países, mas na simpatia com ditaduras de esquerda – 1974/1979 - e de direita – 1969/1973 - do passado recente.

A única diferença entre o populismo de esquerda e de direita é que o de esquerda tende a não antagonizar os emigrantes enquanto que a direita explicita esse inimigo sobretudo em países que têm mais emigrantes.

De resto os populismos de esquerda e de direita tendem a ser fortemente moralistas em que há um povo bom e uma gente má, para além de serem supostamente patrióticos apontando para uma ameaça exterior. Não creio que venham a ter muita força em Portugal.

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