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Atualização diária COVID-19


De ontem para hoje tivemos em Portugal a primeira morte de um médico infectado por SARS-CoV-2. Todas as mortes são de lamentar, mas as daqueles que dão a sua vida para cuidar da dos outros ainda mais.

Temos hoje mais 375 novos casos de infeção em Portugal com focos que se começam a espalhar por todo o país. Estamos com uma tendência crescente que tende a passar do linear para o exponencial. São agora 38 494 os casos acumulados de infeção por SARS-CoV-2 em Portugal. Há a registar de ontem para hoje apenas três óbitos por Covid-19, totalizando-se 1537 mortes por essa doença no país.

Para termos uma ideia relativa do nosso crescimento infeccioso, comparemo-nos com o país vizinho (Espanha), que ontem teve 585 casos de infeção. Dada a extensão da epidemia em Espanha e a sua população é fácil percebermos que estamos muito pior do que Espanha no controle atual da pandemia.

Se nos compararmos com a Itália, esse país teve ontem apenas 331 casos

de infeção. Enquanto se vê uma sucessiva diminuição da infeção em

Itália, em Portugal, estamos a crescer e isso são factos que não tem

explicação no número de testes diários, por mais que se queira dourar

a pílula.

Neste período que atravessamos de pandemia os modelos matemáticos têm-se revelado ferramentas poderosas para a gestão da infecção comunitária, mas as previsões corretas por si só não originam um bom modelo científico, mas o oposto também é verdade: um modelo pode ser boa ciência sem nunca fazer previsões.

Os modelos que mais importam para o discurso político são aqueles que não fazem previsões, porque aí, pode-se especular à vontade. Ora, o que é facto é que já se provou por mil e uma formas que a intensificação da “testagem” não produz maior número de casos

positivos se eles não existirem. Continua-se a argumentar que temos mais casos de Covid-19 em Portugal porque aumentamos a testagem. Isso não é verdade. Se testássemos 1000 pessoas por dia e de forma sistemática, e se a infecção estiver a aumentar, passaríamos a ter algo do género, 1, 3, 9, 27, 54, 100, casos positivos, até chegar aos 1000. Se em 1000 testes tivermos 1000 positivos, implica que teremos que subir o número de testes, caso contrário, diríamos que a infeção tinha parado. Isso é óbvio. Se há mais testes é porque há mais cadeias de transmissão, logo mais testes se fazem. Depois deste tempo todo, ainda há gente que insiste no mesmo argumento inaceitável. Os modelos funcionam independentemente do número de testes e demonstram que a epidemia em Portugal está a crescer.

Nos Açores testa-se muito e não se encontram casos positivos porque a infecção está controlada. Só ontem foram feitas 500 análises no Arquipélago e nem um caso positivo

apareceu. Testa-se muito mais nos Açores que no Algarve. Dos novos casos de hoje, 34 estão associados à festa de aniversário que se realizou em Lagos no Algarve. Uma triste prenda de aniversário.

Os modelos produzem "projeções" ou "cenários" que, ao contrário das previsões, são “estados” que dependem do curso das ações que tomámos. Afinal, é por isso que consultamos modelos: para que possamos decidir o que fazer num preciso momento. Se nos deturpam os dados não há previsões nem cenários e toda a ação política é feita às cegas. Isso é o que parece estar a acontecer em Portugal. Não há rumo, não há clareza de informação. Enfim, a comunicação de risco de DGS é uma DesGraça.

Mas como não podemos prever decisões políticas, se a tendência futura real é necessariamente imprevisível? Mobilizando outros conhecimentos que não apenas aqueles que saem dos cenários: as redes de contactos são fundamentais. Parece que as previsões terríveis para o número de mortes de COVID não se tornaram realidade nalguns casos. Mas essas não eram previsões; eram projeções para o caso de não se terem tomado medidas.

Há oito países que não deixam entrar portugueses nos seus territórios, dada a nossa taxa atual de infeção. Estávamos à espera de quê? Há cerca de um mês que os modelos apontam para descontrolo. Os cenários gerados mantêm-se. O que fizeram, pelo menos dois dos nossos políticos?

As declarações de António Costa de hoje são facciosas, pois na pandemia não interessa o seu passado, interessa sim o presente e o que vai acontecer no futuro. Se no passado fomos bons, isso não justifica o facto de no presente termos um mau controlo e estarmos atrás de muitos daqueles onde já estivemos à frente.

Atiraram imensos foguetes e com isso incentivaram muitas pessoas a pensar que tudo estava controladissimo. As palavras por vezes são tão perigosas como o vírus.

Acerca dos modelos da pandemia leia-se “The Truth about Scientific Models” da Scientific American de ontem (18/6/2020).

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