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Atualização diária COVID-19 - 26 de junho



Portugal continua numa fase de desconfinamento, agora com estratégias distintas consoante a região, mas os níveis são cada vez mais preocupantes. Batemos hoje mais um record com 451 novos infetados (desde 8 de Maio) e temos mais 6 óbitos. Ainda há gente por aí a discutir se estamos ou não numa segunda vaga. Independentemente disso, estamos a crescer consistentemente e se não querem chamar a isso “vaga”, chamem-lhe outra coisa qualquer que possamos entender o seu significado. Totalizam-se hoje 40896 infetados por SARS-CoV-2 em Portugal e acumulamos 1555 óbitos. Isso é preocupante não em termos de visibilidade externa, mas em termos de saúde pública interna. Não estamos em lado nenhum na altura de “charmes” internacionais. No que se refere à infeção a nível mundial estamos perto de atingir os 10 milhões de infetados e o meio milhão de mortes. Amanhã o Iraque passar-nos-á à frente no número absoluto de infetados (oficialmente tem 39139 infetados), mas tem menos óbitos oficiais (1437) do que Portugal. A Ucrânia, tal como já tinha referido anteriormente tem um número absoluto de infetados superior a Portugal e o número de óbitos continua a crescer. Segue-nos de perto, na tabela da infeção por país, o Omã, com metade da população de Portugal, que nos ultrapassará brevemente. Possui na atualidade (36034 infetados) mas uma mortalidade oficial muito baixa (apenas 153 óbitos). Um modelo publicado ontem pelo Barcelona Institute for Global Health (não sei porque razão os epidemiologistas portugueses não andam em cima do que se produz cientificamente e passam a vida a dar opiniões pessoais, pois ainda ontem se falava de um fator chave de transmissão que eram os transportes públicos. Já deviam saber isso há pelo menos um mês), projeta que os desconfinamentos devem ser graduais e com comportamentos individuais responsáveis. Esses são o fator-chave para evitar uma “grande” segunda vaga. Não me parece que haja aqui nada de novo, que um simples mortal não pudesse concluir. É o comportamento individual a variável que mais tem influencia a prevenção de uma grande segunda vaga de infeções por COVID-19. Já o tinha dito há vários meses. Volto aqui a acentuar, e o estudo espanhol, diz o mesmo. De fato manter o distanciamento social a par de outros comportamentos como o uso de máscaras e higienização das mãos evitará futuros confinamentos de acordo com o estudo de modelação realizado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona. Isso parece simples e já o sabíamos. Ainda ontem ouvi um conceituado epidemiologista português dizer que enquanto houver infeção sem mortalidade isso é bom, dando a entender que estamos numa situação dessas e a caminhar positivamente para a imunidade de grupo. De acordo com ele isso seria bom. Isso é uma tolice: isso é o exemplo dos Estados Unidos, exemplo que ninguém deve seguir. Por outro lado, o Sistema de Saúde português não aguenta mais do que 500 infeções diárias sem “rebentar pelas costuras”, mesmo que a maioria das pessoas seja assintomática. Se admitirmos essa taxa de infeção diária sem que haja crescimento exponencial, o que será um milagre e a ciência não conta com eles, precisaríamos de 55 anos para a conseguir. Isso é ridículo se a estratégia é essa. O estudo de Barcelona considera existirem sete grupos distintos na pandemia que necessitam ser geridos de forma distinta: -Os suscetíveis (não sabemos exatamente quantos são e que não estão apenas nos hospitais e lares da terceira Idade); -Em quarentena (depois de testados positivos têm que ficar em quarentena e com regras sociais apertadas). Isso implicaria numa estratégia de imunidade de grupo que ia fechando pelo menos 500 pessoas por dia durante cerca de um mês e controlá-las; o que implica termos que fechar 15000 pessoas por mês. -Expostos (isso depende dos focos de infeção que pelos vistos não conhecemos bem neste momento); -Infetado não detetado (isso fará com que haja sempre algures no espaço alguém a contagiar alguém); -Suspeito de infeção e confinado; -Recuperado, -Óbito. Todos esses grupos precisam de regras específicas o que significa que cada região, consoante o seu estado epidemiológico deve ter regras diferentes, ou seja o combate deve ser feito com regras regionais e não com regras gerais. Por outro lado, as medidas a aplicar devem ser diárias e contínuas em termos de investigação, e na pandemia, não há fins de semana ou feriados. Cada brincadeira que origina infeção, custa a quem trabalha pelo menos um mês de clausura. Se tivermos 300 novos casos por dia, temos 30 casos por dia a procurar o sistema de saúde, com possibilidade de lá ficarem um mês internados e 3 casos por dia a necessitarem de cuidados intensivos. A comunicação de risco a nível local é fundamental e procurar evitar a entrada do vírus também. Por exemplo, “O Governo dos Açores vai alargar no continente, a partir de 1 de julho, a rede de laboratórios de análises de despiste da COVID-19, através de convenções com laboratórios privados e do setor social, agilizando por esta via, os procedimentos para quem pretende viajar para a Região.”. Assim, ninguém deve viajar para os Açores sem análise feita até 72 horas antes da viagem, mas se viajar sem a dita análise fará uma à chegada. Claro que isso não se aplica a Lisboa e aos focos atuais, porque a estratégia aí deve ser regionalizada, mas será certamente uma prática que será implementada no aeroporto de Lisboa à chegada se tivermos passageiros oriundos de regiões com muita infeção. Texto: Félix Rodrigues


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