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Atualização diária COVID-19


Não há coisa pior numa pandemia do que mentirinhas piedosas acerca de números, que se forem interpretados de determinada forma revelam iliteracia matemática e epidemiológica. Cabe-nos a nós portugueses ajuizar sobre os números quando alguns dos nossos responsáveis políticos não os sabem ler. Podem ser bons em direito, mas em matemática parece que não. Temos hoje mais 311 novos casos de infeção por SARS-CoV-2 em Portugal. Isso é menos do que ontem, e mais que tresantontem. O que interessa ver é a trajetória média de curto e médio prazo, e isso significa que estamos com a mesma velocidade de infeção de há duas semanas sem resultados palpáveis. É preciso que as tendências comecem de forma consistente a dar sinais diferentes daqueles que os dados revelam. Hoje temos mais seis óbitos, o que corresponde a uma subida, expectável, dados os níveis de infeção que tínhamos vindo a verificar especialmente em Lisboa e Vale do Tejo. Infelizmente esse número tenderá a subir. Temos hoje acumulados 1549 óbitos e 40445 infetados. Ultrapassámos largamente a Suíça em infeção (tem hoje 31428 casos acumulados de infeção) e tendemos a crescer para um número de óbitos próximo desse país (1958 óbitos). Isso não é nada bom. Há países que estão bem piores do que nós e outros bem melhores. O que temos que fazer é estudar muito bem todos os aspetos relacionados com a exposição à infeção pois a pandemia tem efeitos físicos e psicológicos. Um artigo da Scientific American afirma que a pandemia e o recolhimento social não só provocou a crise de saúde pública nos Estados Unidos mas também a onda de racismo anti-negro e de violência policial. Isso porque o COVID-19 afeta desproporcionalmente as comunidades minoritárias, provavelmente devido não só aos efeitos de racismo mas também pelas baixas capacidades económicas dessas populações que normalmente não tem seguros de saúde. Os nossos políticos deveriam centrar-se nas causas que tornam algumas populações dos grandes aglomerados populacionais especialmente vulneráveis em vez de dourar a pílula.


Texto: Félix Rodrigues

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