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Brasil. Esperemos que não!

Temos que nos redescobrir num mundo em globalização. Redescobrir nas coisas pequenas que fazem o mundo globalizado como há séculos fizeram os que nos precederam.

Ontem telefonaram-me do Brasil dizendo-me que se sentia no ar a vinda de um regime militar, aclamado pelo povo com medo da peste e da fome que normalmente a acompanha, sobretudo nos países da linha da frente.

Somos amigos desde um Congresso em Zagreb quando percebi com dois dedos de conversa que tinha a dimensão do Brasil e do Mundo. Um tipo parecido como o que encontrei num aviocar de Oecússi para Díli passando por Maliana. Dizia-me este que o ensino do português se faz com telenovelas e não necessariamente com professores desterrados nas matas de Viqueque e Bobonaro; julgo que tinha razão. Outro, Sérgio Vieira de Melo, que vi com mando na Assembleia de Timor morreu bombardeado no Iraque em representação das Nações Unidas. Portugueses de antanho que agora fazem o Brasil e se lançam com saber e algum poder no mundo.

Mas voltemos a Zagreb. Desde aí fui a um Congresso a São Paulo passando pela cidade mais bonita do mundo em Parati. Convidaram-me umas semanas para Juiz de Fora e receberam-me em Aracajú. Nos tempos de crise pagaram- me uma ida a Arica no Chile para estar presente na Pacific Regional Science Association e foram essenciais para ter a sede da associação mundial nos Açores. Do Chile, do Brasil, do Mexico e de Espanha criaram a Rede Ibero - Americana de Ciência Regional que, um ano depois, se autonomizou da Ibéria e dos Estados Unidos na Latin-America Regional Science Association.

Há dois anos estivemos em Goa e o ano passado viajámos por terra de Luanda para o Huambo através do Lobito e em dois meses fizeram o modelo económico inter-regional de Angola que quantifica a enorme dependência do petróleo e de Luanda, justificação suficiente para a corrupção e para a desigualdade espacial e social que agora tem instrumentos de correção.

O que podemos fazer pelo Brasil numa altura destas? É essa a postura grande com que nos devemos preocupar em vez de nos miserabilizarmos com uns milhões da Europa em proveito alheio. O que podemos fazer para evitar a ditadura que atrasará a relação do Brasil consigo e com o Mundo? O que podemos fazer para que o Brasil não se torne uma Venezuela de direita?

Primeiro rezar, porque rezamos da mesma maneira e um Pai Nosso sempre fez bem a muita gente e a muitos sítios. Depois cantar porque temos os melhores cantores do mundo se souberem ajustar a linguagem às ondas do futuro real! Virá que eu vi! Em terceiro lugar ter coragem para dizer não no momento de o fazer, acreditando que Deus está também na consciência dos nossos adversários potenciais ditadores. Finalmente, estarmos abertos a que voltem para cá por algum tempo se for caso disso. Esperemos que não!


Texto: Tomaz Dentinho

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