• Félix Rodrigues

Debate pelo círculo eleitoral de São Miguel

O debate do círculo eleitoral de São Miguel, na RTP-Açores, foi elevado em termos democráticos. Talvez o melhor debate de todos os círculos eleitorais, pena é que em média fugiu para os Açores em vez de se centrar na realidade da ilha que os candidatos representarão no contexto dos Açores que é São Miguel.

Cerca de metade dos candidatos centrou-se nos Açores, como se São Miguel não lhes merecesse atenção, e outra metade de facto centrou-se na realidade da ilha. Todos somos açorianos, apesar de metade de nós vivermos em São Miguel, mas isso não nos deve permitir esquecer quem representamos e que restam pessoas que representarão as outras ilhas.

Lamento o desrespeito democrático do PS e PSD, os maiores partidos da região, que se fizeram representar pelo 5º e pelo segundo candidato, respetivamente, das listas do círculo eleitoral de São Miguel. Há cabeças de lista pela ilha de São Miguel que não percebem que em cada eleição tudo começa do zero e que a hierarquia de poder não existe. Isso nada tem a ver com quem os substituiu mas sim com quem se deixou substituir. Os representantes do PS e PSD não estiveram mal e o mesmo aconteceu com todos os outros dos restantes partidos concorrentes.

Ninguém ficou com dúvidas que a maioria da pobreza dos Açores existe em São Miguel ou que as grandes assimetrias sociais também ocorrem nessa ilha. Interessa perceber como se resolvem essas assimetrias sociais na maior ilha dos Açores. Se temos que resolver assimetrias sociais a ordem é clara: São Miguel, Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Santa Maria, Graciosa, Flores e Corvo. Isso tem a ver com a dimensão da população de cada uma das ilhas. Quanto maior a ilha maiores são as desigualdades.

É verdade que São Miguel, conjuntamente com a Terceira decidem o resultado das eleições. São essas duas ilhas que tem que pensar muito bem na mudança ou na continuidade para alterar as desigualdades. Essas duas ilhas elegem 30 deputados e como tal têm mais responsabilidade do que todas outras no rumo dos Açores. Nenhuma delas se deve armar em arauta da açorianidade.

Tanto no debate da ilha Terceira como no debate de São Miguel, parece que toda a governação rondou em torno da correta abordagem da pandemia. Sim foi correta. E depois? O PS fê-lo sozinho? Pelo menos o povo não colaborou? Mais ninguém fez nada ou disse nada? Não é a gestão da pandemia que está em avaliação. Não é o que se fez que está em avaliação, é a representatividade e a democracia que está em avaliação. Notou-se um cansaço de 24 anos de governação socialista no círculo eleitoral de São Miguel.

Diz quem está na governação, em 5º lugar da lista do PS do círculo eleitoral de São Miguel, que há muito para fazer. Todos concordamos, até quem se lhes opõe. Se outros lá estivessem nada teriam feito? Nada teriam gerido? Andar no governo durante um quarto de século claro dá currículo.

Não é tempo de abstenção. Mais uma vez há nisso unanimidade no debate micaelense.

Já que nas ilhas gostamos muito de despiques, como nas cantigas ao desafio, vamos a uma tarefa simples. Quem mais se vai abster das suas responsabilidades? Micaelenses? Terceirenses? Faialenses? Picoenses? Jorgenses? Marienses? Graciosenses? Florentinos? Corvinos?



Félix Rodrigues

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