• Félix Rodrigues

"Delay" entre infeção e mortes em Portugal e não há só recuperados e infetados: ainda há outros

Portugal apresenta hoje mais 904 casos de infeção por SARS-CoV-2 e mais 10 óbitos. Nas últimas 24 horas não se observou excesso de mortalidade em relação a anos anteriores. Atingimos marcas difíceis de imaginar há algum tempo atrás: Temos hoje 2005 óbitos contabilizados no país e um acumulado de 79151 infetados. São muitos de facto e prevê-se que os números para amanhã, terça-feira e quarta-feira venham a ter incongruências pois temos o fim de semana a um feriado pelo meio. Talvez no sábado da próxima semana tenhamos um retrato da situação atual da pandemia no país. Se assim for, será muito mau em termos de gestão de saúde pública.

Tal como dizia anteriormente, quando os casos de infeção começaram a crescer abruptamente nesta terceira vaga sem crescimento da mortalidade, de facto só agora a mortalidade vai começar a acompanhar o crescimento da infeção. Há um “delay” entre infeção e mortalidade.

Até agora nesta pandemia de SARS-CoV-2 parece existirem apenas dois grupos de pessoas na sociedade: Os que se curaram da Covid-19 e os que morreram. Não se tem falado de morbilidade talvez porque a pressa está na lógica dicotómica ou na decisão dicotómica de salvar ou não salvar.

Se um indivíduo infetado com SARS-CoV-2 se cura e dali a um mês morre, essa morte está ou não relacionada com Covid-19?

É preciso olharmos para o crescimento dos dados da mortalidade no período da pandemia. No período de janeiro de 2020 a 22 de setembro deste mesmo ano, por exemplo, Israel, não teve qualquer excesso de mortalidade até ao aparecimento da segunda vaga nesse país. Neste momento tem um excesso de mortalidade de 1700 óbitos e registados como óbitos por Covida-19, 1692 óbitos. Esses valores são claramente concordantes.

No caso de Portugal a situação é muito diferente: temos um excesso de mortalidade desde janeiro a 22 de setembro de 2020 de 14%, ou seja, 7300 óbitos, mas registados como óbitos por Covid-19, apenas 1983 óbitos. Falta explicar a razão pela qual morreram em Portugal 5317 pessoas a mais do que era esperado, neste período de pandemia.

A nossa vizinha Espanha tem registados 32 086 óbitos por Covid-19, mas o seu excesso de mortalidade é de 57 600 óbitos. Os espanhóis dizem, e com razão, que há algo mal explicado nos números dos óbitos.

Também há excessos não explicados no Reino Unido, pois estão registados 42 407 óbitos por Covid-19, mas o excesso de mortalidade ou mortalidade acrescida no período da pandemia é de 67 500 óbitos.

Precisamos de muito mais informação:

Quantos se infetaram e recuperaram, mas com sequelas?

Quantos se infetaram e recuperaram, mas sem sequelas aparentes?

Quantos morreram durante a infecção por Covid-19?

Quantos morreram fora do período de infeção e sem aparentes sequelas da infeção?

Na imagem, do Financial Times, ilustra-se a distribuição percentual da infeção no mundo, agrupada por grandes regiões geográficas ou grandes populações.



Félix Rodrigues

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