• Tomaz Ponce Dentinho

Desconcentrar Lares de Idosos. É hora!



A idade é o fator que tem mais peso na mortalidade por Covid-19, grande parte dos quais ocorreram em lares de idosos. Percebemos que a capacidade de cuidados intensivos de cada ilha é naturalmente limitada podendo ficar rapidamente esgotada se um qualquer lar de idosos ficar subitamente com um número elevado de infetados. Finalmente não é aceitável admitir um cenário semelhante ao que aconteceu no lar do Nordeste no início da pandemia onde morreram quinze idosos.

Parece assim fazer sentido apoiar a desconcentração dos lares de idosos providenciando o apoio domiciliário que normalmente se fornece no lar de idosos. O principal custo adicionar é o acréscimo de viagens dos que apoiam os idosos entre os vários domicílios por onde seriam redistribuídos, mais a presença de as pessoas que acompanham os idosos. É certamente mais caro e não é generalizável a todos os idosos, mas basta que aconteça em parte dos casos para que a probabilidade de falecimento por Covid-19 possa decrescer.

A responsabilidade cabe em primeiro lugar à Autoridade Regional de Saúde não só porque lhe interessa salvar vidas, mas também porque tem empenho em que os limitados cuidados intensivos de cada ilha não fiquem subitamente sobre ocupados pela infeção generalizada de um lar de idosos. E assumir essa responsabilidade passa por criar as condições de apoiar os lares que consigam desconcentrar os seus utentes pelos domicílios bem como acompanhar a forma como o fazem.

O empenho dos lares também é importante para planearem a melhor forma de distribuírem grande parte dos seus utentes pelos domicílios, desconcentrando também as equipas de apoio e, porque serão necessários mais prestadores de serviços, formando aqueles que é preciso mobilizar.

O apoio das famílias também será bem-vindo neste modelo que, se não interessa a todos, pelo menos interessará a muitos para benefício dos idosos e para bem de todos os cidadãos pela poupança de vidas que perspetiva. O acolhimento dos seus parentes em suas casas desde que tenha o apoio do serviço do lar pode ser uma alegria para todos.

Para além do mais, não sendo possível por esse mundo fora onde as casas são pequenas para mais um, pelo menos do mundo onde recebemos más notícias, pode ser possível nos Açores ou para alguns lares dos Açores que façam a diferença desconcentrando-se.

Há soluções complementares para salvar os idosos dos lares. Rui Moreira da Câmara do Porto diz que é tempo de salvar os idosos e anunciou um programa inédito “de rastreio sistemático da população idosa e residente em instituições públicas e privadas, bem como aos trabalhadores que se encontram a cuidar destes cidadãos, particularmente vulneráveis nesta crise”. Parabéns! Um bom exemplo para os Presidentes das Câmara dos Açores.

Outros falam de mudar o sistema de funcionamento dos lares de idosos o que só terá impacto a médio e longo prazo. Vale a pena tentar com a oportunidades que a crise está a criar. Sobretudo, não considerar que uma vida de idoso vale menos do que a nossa. É uma perspetiva aterradora não só pela má consciência que nos cria, mas também pela visão dantesca do anúncio do nosso próprio abandono e morte.

Vamos a isso. Mostrem-me lares desconcentrados nos domicílios a funcionar. Filmem o rastreio de idosos e empregados dos lares. Reportem o número de idosos que não morreram nesta pandemia. E redimam a imagem do Nordeste. Autoridade regional de saúde, responsáveis pelos Lares, Famílias, Presidentes de Câmara. É hora!

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