• Jornal Digital ACDA

Desenvolvimento dos Açores

Desde Adam Smith em 1778 que sabemos que o Desenvolvimento é feito com o Mercado e

com Exportações. Desde Paul Samuelson em 1954 que sabemos que os Bens Públicos devem ser alocados de forma a que a soma dos benefícios marginais seja igual ao custo marginal da provisão dos bens públicos. E assim que fazemos nas festas dos impérios.

Desde 2019 que sabemos quanto a economia dos Açores depende da exportação de leite

(10000 l=1ha= 1 emprego), do turismo (100 hospedes = 3,4 empregos) da pesca (1 tonelada = 0,2 empregos), das transferências do Estado (1 milhão = 92 empregos) e, negativamente, da dívida (1 milhão = -60 empregos).

Sabemos também que as transferências da Europa não criam empregos, que as pescas estão a delapidar os stocks, que o abandono escolar é elevadíssimo e que o sistema de saúde é caríssimo e não necessariamente bom (basta intuir da mortalidade Covid-19 que é 12% nos Açores e em Lisboa é 2%).

Sabemos que os Açores erraram:- Quando quisemos a quota leiteira durante alguns anos

perdemos 9000 empregos;- Quando não liberalizámos o transporte aéreo durante 10 anos

perdemos mais de 10000 empregos- Quando aceitamos o aumento da dívida de 1000 milhões estamos a destruir 60000 empregos anulando os empregos possibilitados pelas transferências do Estado e pelo turismo.- Quando defendemos que não haja turismo por causa do Covid-19 destruímos milhares de empregos.- Quando não liberalizamos a sério o transporte marítimo tornamo-lo dos mais caros do mundo.

No fundo quando temos medo, morremos de medo.


Que fazer?

Podemos insistir na mesma linha de dependência que resultará na redução da autonomia e na desertificação das lhas, pequenas e grandes, porque todas pagam dívida. Os Açores com 100000 Habitantes pobres e dependentes em 2030).

Podemos agir pagando e negociando a dívida com os fundos europeus, criando concorrência na recolha de leite, afetando a gestão dos bancos de pesca aos portos de pesca e a grupos de pescadores, liberalizando o transporte aéreo e marítimo, tornando a distribuição de energia por ilha e a produção liberalizada, reduzindo o custo por aluno de 6000 Euros para 3000 Euros pagando mais a menos professores que não faltam e tomam conta dos alunos nos intervalos e reduzindo o custo por utente do serviço de saúde, com clara definição de serviços mínimos e apoio aos mais carenciados. Basta que sejam definidos em função da procura como as explicações ou as consultas e não em função da oferta. Nesta estratégia os Açores têm 300000 habitantes com boa qualidade de vida em 2030.

Vivemos em Democracia Representativa pelo que cabe aos políticos interpretar a vontade do povo / contribuinte para que as suas contribuições respondam melhor aos objetivos expressos nos programas votados.

O povo já perdeu a ilusão monetária no tempo do Cadilhe e perdeu a ilusão orçamental no

tempo do Gaspar e Centeno. Sabem que a inflação rouba os mais fracos e que a dívida

empobrece os remediados.

Também é tempo de perdermos a ilusão de que o desenvolvimento se faz contra o ambiente e contra a sociedade. Quando construímos uma casa na reserva agrícola estamos a perder 10000 litros de leite e um emprego. Quando plantamos eucaliptos em bons solos para pastagem lá se vai outro emprego por hectare. Quando construímos em cima das ribeiras ou arroteamos terrenos declivosos e de altitude anunciamos a cheia que destruirá a freguesia. Quando fazemos bairros sociais distantes estamos a criar criminosos e quando não responsabilizamos os pescadores pela gestão dos stocks de pesca encaminhamo-los para a miséria e para a nossa pobreza.

Por isso há que fazer programas, baseados em modelos alternativos aos fundos inócuos, à

dívida trágica e à degradação ambiental e social. E anunciá-los com clareza para que o povo escolha e se responsabilize pelas escolhas que faz em democracia.


Texto: Tomás Dentinho


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