• Tomaz Ponce Dentinho

Eduquemo-nos, enquanto esperamos pelas vacinas de Universidades bem-educadas

Lembraram-me há poucos anos que, como nos diziam os mais velhos, educamo-nos ao longo da vida; para sermos mais santos acabávamos por acordar. No entanto, muitas vezes, fazemo-lo dizendo mal dos que consideramos fora da tribo. Outras vezes, toleramo-lo quando o Estado nos quer impor novas normas de conduta ou, com empenho policial, preferimos ser “bons moços e moças de Portugal” fardando-nos de olhares, admoestações e comentários coercivos aos fora-da-lei.

Em ambiente de peste nada disso faz sentido. Por um lado, porque a peste entra pelas tribos, famílias e lares adentro. Por outro lado, porque as regras impostas pelo Estado não são manifestamente suficientes, não tanto porque as pessoas não cumpram como se viu no confinamento, mas porque é o próprio Estado que não cumpre as regras que impôs, promovendo comemorações e eventos culturais de regime, ou não criando as condições para o cumprimento das regras de distanciamento nos transportes públicos e filas nas repartições e empresas públicas.

A educação contra a peste começa em casa e nos lares, lá onde ocorrem 80% das infecções, nos empregos e nas reuniões de amigos. Para além dos casais que fazem um só e dos filhos de casa, por alguns meses, temos que comportarmo-nos como pensamos que fazem os Hindus, interagindo sem nos tocarmos e sem nos cheirarmos por aí além.

É verdade que precisamos mais profundidade no olhar e às vezes não aguentamos o olhar dos outros. Certamente precisamos de mais tempo no escutar e não damos oportunidade ao silêncio que espera por ouvir. Provavelmente temos medo de deixar de saber tocarmo-nos, nas muitas nuances de aperto de mão, abraços, beijinhos, danças, palmadas e murros que, naturalmente, fazíamos acompanhar com palavras, desagrados de suores e agradabilidades artificializadas de perfumes.

O Estado diz para lavarmos as mãos nesses ambientes de proximidade e ainda bem que o diz para não interferir ainda mais no que não lhe pertence. Diz também para isolarmos dos velhos e dos amigos, mas diz mal. Porque certamente a nossa aprendizagem de educação do olhar e do escutar pode fazer-se com os nossos mais velhos e mais facilmente entre amigos do que no anonimato dos transportes públicos atulhados.

Entretanto esperamos pela vacina. De acordo com a revista Economist “uma contagem mantida pelo Instituto Milken, um think tank americano, 180 vacinas estão em desenvolvimento e - citando Soumya Swaminathan, cientista chefe da Organização Mundial da Saúde - a vacina de Oxford já tem três ensaios em estado avançado, sabendo-se até o final de Agosto se a vacina é ou não eficaz; pode não ser.

Uma das razões porque Oxford está à frente, diz aquela revista inglesa, é que para além de ser uma óptima universidade, não esperou pelo financiamento do Governo. Universidades bem-educadas são autónomas do Estado.

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