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Escaramuças perigosas nos Himalaias



As fronteiras dos Himalaias estão mal definidas. Há partes que são reivindicadas pela China e estão ocupadas pela Índia. Há locais incluídos nos mapas da Índia que são ocupados efetivamente pela China. No meio existe o Cachemira, uma Suíça do Himalaias, dividido entre a Índia, o Paquistão e a China. De vez em quando há pequenas escaramuças, mas a que ocorreu no vale do Rio Gallowan no passado dia 15 de junho teve 20 baixas no lado Indiano e presumivelmente 43 do lado Chinês que tentou ocupar 40 Km2 (a área de Ilha Terceira) no vale do Rio Gallowan.

O caso está a preocupar a Índia, a China, os Estados Unidos - que rapidamente apoiaram a Índia, no seu posicionamento da esperada Guerra Fria contra a China (TG Ash, Expresso de 27 de junho, página 3) - e a diplomacia de todo o mundo com especial relevo na diplomacia europeia.

O caso não é para menos. A China quer uma passagem para o Índico através do Paquistão (S Wolf, South Asia Democratic Forum de 18 de junho), mas antes tem que passar pelo disputado Cachemira, onde se registaram os confrontos. Por outro lado, o ambiente de crise pandémica e económica pode tentar os governos de ambos os lados a mobilizar os seus povos em torno de um conflito internacional. Acresce a isto a gestão da água que dali, alimenta Índia e o Paquistão, a jihad islâmica sempre pronta a encontrar local nevrálgicos para a sua intervenção e o já falado ambiente de guerra fria que mobiliza atenções e ações pela dificuldade de os homens lidarem com humildade e proximidade com sistemas complexos.

Timothy Ash, citado acima, dá uma primeira pista de solução de longo prazo para a Guerra Fria dizendo que elas são ganhas em casa. E a casa neste caso são os Estados Unidos, a Índia e a Europa e, possivelmente, os países que na América Latina e em África ficarem desse lado.

Uma segunda pista é dada pelo que sabemos e não queremos implementar porque a diplomacia defende os Governos e os Exércitos à custa das empresas e dos povos, sobretudo dos povos de fronteira. E o que sabemos é que a troca e as estradas são fundamentais ao desenvolvimento e à paz. Neste caso as estradas e as trocas que ligam a China à Índia pela Birmânia e Bangladesh, a China ao Índico pelo Cachemira e Paquistão, e a Índia à Ásia Central pelo Paquistão e Afeganistão. As rotas e os mercados constroem a Paz. As fronteiras e as recessões moldam as guerras.


Texto: Tomaz Ponce Dentinho

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