• Tomaz Ponce Dentinho

Felix Galileu


O meu colega António Félix tem levantado a hipótese de os Açores terem sido habitados antes do povoamento português e flamengo a partir da segunda metade do século XV. E ao longo dos últimos anos tem apresentado alguns indícios que tal seria possível não só pela possibilidade real de tal acontecer comprovado por outros povoamentos de ilhas longínquas, mas também pela apresentação de marcações em pedra e datações de material fossilizado. Outros trabalhos indicam a existência de cereais datadas do século XII e a existência de cartas antigas que reportam a existência das ilhas muito antes do povoamento geopolítico e económico feito pela Ordem de Cristo em associação com a Coroa Portuguesa.

Para além da submissão de artigos em revistas de cariz científico e o sucesso da publicação em algumas delas o meu colega António Félix tem partilhado com entusiasmo na imprensa local as suas investigações o que despertou o interesse de alguma imprensa estrangeira e a natural controvérsia nos meios científicos e sociais mais próximos do autor.

Nestes meios mais próximos há vários tipos de atitudes que me parece interessante evidenciar:

- Uns, provavelmente aqueles que gostam de ler polémicas que interessa à imprensa reproduzir, olham mais para a polémica do que para o objecto da mesma. O que lhes interessa é o que diz quem ataca o Professor Félix e como é que ele se defende e contra ataca. Não vale grande coisa esta atitude de espectadores de opinadores e de opiniões.

- Outros, tentam defender o senso comum, neste caso de saber se houve povoamento antes do século XV, porque para além de por em causa o que todos aceitam poderia colocar em causa a geopolítica estabelecida. E para isso vão sacando de argumentos: encomendam estudos a especialistas para resultados pré definidos, tentam ridicularizar quem estuda assuntos polémicos e interessantes e, espanto máximo, advogam que a ciência é feita só pelos especialistas. Não há nada mais errado. A ciência é feita por quem tem conhecimento universitário que é capaz de colocar outras hipóteses às teses que existem e para isso precisa de ser "tudólogo" como acusam o universitário, que é, como deve ser qualquer cientista.

Estranho é que as investigações feitas pelo Professor Félix não suscitem interesse efectivo dos arqueólogos portugueses. Era ou não possível haver povoamento das Ilhas há 2500 anos? Se sim porque se teriam ido embora? Se sim, de onde terão vindo? Se sim onde será provável encontrar vestígios que complementem ou contradigam as hipóteses do Professor Félix?

Quando o atacam é bom que percebam que o ataque que fazem não é muito diferente do que a Inquisição fez a Galileu. Só que a Inquisição agora tem outros contornos muitos deles suportados pela ciência disciplinar que, desenquadrada do conhecimento Universitário e tende a ser ideologia especializada, errada e perigosa.

Aprendam que, assim como hoje precisamos de todas as ciências para perceber o real, também precisamos de todo o saber para compreender o passado. Conheço bons arqueólogos que pensam e fazem assim e redescobrem histórias novas em histórias ideológicas estabelecidas encomendadas para "educar o povo". Mas não dizem mal dos tudólogos universitários que também são ou que têm que ser para serem bons arqueólogos.



384 visualizações
acda_cubo.png

Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores
Canada de Belém

TERINOV - Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira - Sala B4

9700-702 Terra Chã, Angra do Heroísmo

NEWSLETTER

  • White Facebook Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Twitter Icon

© Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores