• Félix Rodrigues

Grande descida na infecção em Portugal (28/7/2020): Comprovadamente temos excesso de mortalidade

Temos hoje em Portugal mais 111 novos casos de infecção por SARS-CoV-2. Trata-se de uma redução de 18% dos casos em relação a ontem e aparenta ser muito bom sinal. Na semana passada, parecia ter desaparecido o efeito do fim de semana na terça-feira, mas infelizmente apareceu na quarta-feira. Vamos esperar para amanhã para garantir que estamos numa fase mais controlada da infeção no país e numa descida sustentada.

Totalizam-se hoje 50410 casos acumulados de infeção em Portugal.

O número de óbitos baixou de ontem para hoje sendo apenas 3. Acumulam-se 1722 óbitos por Covid-19 em Portugal, o que faz com que a taxa de letalidade seja cada vez mais baixa (3,4%).

Voltamos de novo à mortalidade dos últimos tempos, porque os dados diários não andam a bater bem…

Dizia ontem que o número de óbitos em Portugal por Covid-19 são muito baixos e o excesso de mortalidade global muito alto.

O Financial Times de vez em quando faz a análise para vários países, tendo em conta o número de óbitos oficiais de Covid-19 e o excesso de mortalidade, também oficial, relativamente a anos anteriores.

Verificamos nesses gráficos que Portugal tem neste período de pandemia mais 11% de mortes das que se registavam nos últimos anos, ou seja, 3500 óbitos a mais, mas apenas 1722 são atribuídos a Covid-19. Precisamos saber o que se passa com 1778 óbitos não Covid-19. Ou serão Covid-19?

Nos Estados Unidos da América, os óbitos Covid-19 são 148 000 e o excesso de mortalidade analisado do mesmo modo que em Portugal é de 149 200 óbitos. A diferença não é muita.

A Islândia, Israel e a Noruega, entre os países avaliados, continuam a não apresentar excesso de mortalidade relativamente aos anos anteriores.

A Itália apresenta um número de óbitos por Covid-19 de 35000, quando o excesso de mortalidade nesse período é de 48000. Há números italianos que precisam também de serem explicados.

E poderíamos caminhar por aí diluindo ou não o número de óbitos por milhões de habitantes, etc, etc, como se as métricas resolvessem os problemas da vida ou da morte.

A métrica do número de infetados por milhão de habitantes é ridícula para que se diga que qualquer decisão política é objetiva. Por exemplo:

Portugal tem 5030 infetados por cada milhão de habitantes. Os Estados Unidos têm 13086 infetados por cada milhão. A Alemanha tem 2498 infetados por cada milhão de habitantes. Concluiríamos que a Alemanha está muito bem, Portugal está num estado mediano e os Estados Unidos (50 estados), muito mal.

Imaginemos que chegava um caso positivo de Covid-19 à ilha do Corvo com 430 habitantes. O número de infetados por milhão seria de 2326, praticamente igual à Alemanha. Essas comparações fazem sentido? Claro que não.

Outro indicador seria a transmissibilidade, e aí, os critérios seriam completamente diferentes e permitiria ordenar os países de modo completamente diferente.

Se usássemos o número de óbitos por milhão de habitante ficaríamos surpreendidos com as ordenações. Ora, quero dizer com isso que o que se faz com alguns indicadores é política discricionária e o mundo está cheio dela. A única forma de garantir eficácia política é combater mesmo a infecção.

Na tabela global da pandemia, Singapura continua à frente de Portugal, pois parece estar numa segunda vaga com um crescimento aparentemente exponencial.

Portugal aparenta estar a decrescer na sua segunda vaga, pós-desconfinamento, que não foi muito acentuada quando comparada por exemplo com Israel.

A Holanda parece estar numa segunda vaga crescente.

A Roménia está numa forte segunda vaga e ultrapassará brevemente Portugal.

A Guatemala não se percebe, mas parece estar ainda numa primeira vaga, sem qualquer sistematização de dados. Num só dia registaram-se 10 500 casos, para nos dias seguintes se registarem 300.

Angola tem crescido muito lentamente. Está neste momento com 950 infetados e 41 óbitos. Por que razão Portugal exige teste aos Angolanos que chegam ao país se a taxa de infeção por milhão de habitantes é de 31 infetados por cada milhão? Por falar em política, também temos as nossas bem inconsistentes.



Félix Rodrigues

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