• Tomaz Ponce Dentinho

Grande Universidade do Atlântico. “Deixa-me rir, essa história não é tua” nem envolve milhões.

O guru do Governo da República Professor António Silva Costa tem ideias caras e potencialmente catastróficas como as de todos os anteriores gurus que se propõem gastar milhões de todos nós nos seus sonhos e visões.

Como diz Jorge Palma na sua canção boa a história não é nova mas a Ideia de uma Grande Universidade Atlântica não precisa de milhões. Precisa de tempo para preparar e atrair professores, investigadores e alunos que se enraízem na Região, servindo o mundo. Precisa que a cada um dos seus pólos e equipas académicas possam concorrer no sistema internacional do ensino e da investigação, sem restrições internas e externas.

Se não tiver tempo para enraizar docentes e investigadores será certamente uma universidade virtual à distância como já o é, nos Açores, o centro de controle aéreo de Santa Maria, o Air Centre e outros quejandos, que só existem para recolher dados do mar, do ar e da terra sem grande necessidade de professores e alunos. Neste sentido a Grande Universidade Atlântica é como uma Grande Universidade da Antártida ou uma Grande Universidade do Sahara.



Se a concorrência entre pólos e o resto do país não for séria, mantemos contingentes das ilhas que tiram os alunos com capacidade financeira dos cursos dos Açores, deixamos que São Miguel queira ter cursos do mar que a Horta faz melhor e não nos mexemos quando sem razão feche o curso da gestão na Terceira e não deixe abrir graduações em desenvolvimento sustentável, em engenharia e gestão industrial, em educação física, em arquitectura, em saúde pública, em jornalismo, em filosofia, direito, e economia e por aí fora. Acham que fazem em São Miguel nas nem isso conseguem ou querem fazer.



Demonstrei que em quatro anos e apenas com os alunos dos Açores era possível passar de 4000 alunos para 6000 alunos e integrar docentes que, entretanto, foram fazendo o doutoramento. E disse que, com essa base, em outros quatro anos poderíamos ter 10000 alunos 40% provenientes de fora, atraídos pela excelência entretanto criada em algumas áreas provavelmente ligadas à gestão da terra e do mar, ao turismo, ao transporte, à logística, às relações internacionais e ao desenvolvimento regional. Agora Professor António Silva vai investir milhões na ideia e, de repente, surge essa Universidade que demoraria pelo menos dez anos a fazer sem ser preciso dinheiro extra. Basta que nos deixassem competir sem seremos restringidos.

Paradoxalmente fomos auto-restringidos porque foi a Universidade que democraticamente escolheu a redução de 4000 para 2000 alunos. Provavelmente porque menos alunos dão menos trabalho e, nas estranhas regras actuais, não tiram emprego nem na Universidade dos Açores nem nas Universidades portuguesas.

Em suma. A ideia da Universidade Atlântica é fantástica, mas não precisa de milhões. Basta que nos deixem concorrer livremente no ensino e na ciência e chegamos lá de forma sustentável. Os Açores não têm só dados para recolher. Têm gente que sabe pensar quando o pensar é mais retribuído do que o pedir subsídios. E essa doença porventura vem de trás, quando expulsaram os jesuítas e centralizaram o poder, naquele tempo foi em Angra agora é o tempo do medo de Ponta Delgada ter expressão.

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