• Félix Rodrigues

Hoje mais infectados do que ontem. A população asiática parece ter maior imunidade do que outras

Temos hoje mais 255 novos casos de SARS-CoV-2 em Portugal. São mais 26% do que ontem e acumulamos 50868 casos de infeção no país. Torna-se claro que em termos analíticos ou de esforço de amostragem, não há sistematização de dados ou uma preocupação clara em apanharmos todos os casos de infeção, isso porque, retirando da equação Açores (hoje sem novos casos) e a Madeira (também sem novos casos), a testagem faz-se ao ritmo do trabalho burocrático, descansando-se ao fim de semana, fazendo pontes, etc, como se a pandemia parasse para descansar nesses períodos. Por outro lado, começa a ficar claro que há acumulação de análises por falta de pessoal técnico e por falta de gente capaz de fazer os inquéritos epidemiológicos. É triste que não se seja capaz de fazer previsões e gerir o pessoal em função dessas previsões. Podíamos pensar que não existem bons modelos preditivos em Portugal, mas há efetivamente muitos e bons modelos preditivos, entre os quais se destaca o modelo Cabral, do meu colega da Uaç, João Cabral.

Temos hoje apenas dois óbitos, um valor muito baixo, mas não se vê nenhuma tendência decrescente da curva de mortalidade, até pelo contrário, a mortalidade global apresenta excesso relativamente a períodos anteriores. Não significa isso que os números estejam a ser camuflados pois ainda há muitas incertezas acerca da infeção por SARS-CoV-2. Acumulamos hoje 1727 óbitos por Covid-19 em Portugal.

Tal como previa ontem, os Estados Unidos já ultrapassaram a marca das 150 mil mortes por Covid-19, e o Brasil caminha para a marca dos 100 mil mortes.

Depois de amanhã a Roménia ultrapassa Portugal e Singapura é provável que se mantenha à frente do nosso país.

Por Falar em Singapura, foi aí realizado um estudo que mostra que as células T, específicas da SARS-CoV-2, estão presentes em todos os pacientes com COVID-19 recuperados. Essas células T também foram encontradas em todos os indivíduos que se recuperaram da SARS-1 há 17 anos atrás e em mais de 50% dos indivíduos não infectados quer por SARS-CoV-1 quer por SARS-CoV-2, indiciando existir um nível pré-existente de imunidade na população em geral. Isso pode justificar a razão pela qual Singapura, com mais infetados do que Portugal, só tenha 27 óbitos.

Se os resultados desse estudo estiverem corretos isso implica que a infecção e a exposição aos coronavírus induzem células T de memória duradoura, o que pode ajudar a gerir melhor a pandemia atual.



Félix Rodrigues

144 visualizações
acda_cubo.png

Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores
Canada de Belém

TERINOV - Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira - Sala B4

9700-702 Terra Chã, Angra do Heroísmo

NEWSLETTER

  • White Facebook Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Twitter Icon

© Associação para a Ciência e Desenvolvimento dos Açores