• Félix Rodrigues

Letalidade muito baixa no país. As vacinas servem para alguma coisa?

Parece que a infeção está a diminuir em Portugal, pois hoje temos apenas 112 casos, apenas mais 6 do que ontem, mas o historial dos reportes diários diz-nos que os números fiáveis são os da quarta-feira, por isso temos que esperar para amanhã para percebermos se de facto estamos a diminuir substancialmente a infeção no país. Temos acumulado até hoje no país 51681 casos de infeção por SARS-CoV-2.

A mortalidade continua baixa, hoje há apenas a registar e a lamentar um óbito, e sem aparente excesso da mortalidade global. Isso é bom, pois significa que neste momento a taxa de letalidade em Portugal se situa 0,9% o que é manifestamente baixa. Temos acumulado desde o início da epidemia no país 1739 óbitos.

Meio-mundo espera por vacinas enquanto outro meio-mundo equaciona não a levar. Trata-se de um problema de confiança na ciência e o que é certo, é que, nos últimos tempos e com as redes sociais cada pessoa elabora a sua teoria. Há teorias da conspiração que peguem e evocações básicas ou primárias que pegam muito bem como a evocação da liberdade individual.

Só há liberdade individual plena se o indivíduo não vivesse em sociedade. Vivendo em sociedade essa liberdade individual esbate-se, atenua-se ou até mesmo desaparece. Tudo depende das comunidades e dos sistemas políticos.

Como é que um indivíduo se pode recusar a levar uma vacina, se com essa ação coloca em causa a saúde dos outros? A vacina é uma arma coletiva e não individual. Se deixar-mos cada um tomar a decisão, essa de nada serve, apenas dividirá a comunidade: os que levaram e que se constituem um grupo individualizado que repele aqueles que a não tomaram. Isso é demasiado sério e perigoso. Assim, só há uma forma de garantirmos o bem-estar das comunidades que é com a aceitação das melhores práticas científicas. Se há receios, teremos que ser mais exigentes nos testes. Se calhar teremos que prolongar o tempo de testagem e o volume de testes antes da sua aplicação imediata. Não há nenhum governo que queira matar a população que governa.

Na Rússia, preparam-se para começar a administrar uma vacina de forma massificada.

Em Israel, há uma vacina contra a SARS-CoV-2 que se revelou eficaz em macacos rhesus.

Os chineses parecem avançados na sua vacina e parte do mundo espera pelas vacinas inglesas e alemães.

Seja qual for a vacina fabricada por quem seja, essa vacina não é exclusiva dessa comunidade, por princípio, pois é resultado da ciência produzida em todo o mundo e cujo conhecimento é partilhado com todo o mundo.

A pandemia provoca-nos dilemas, especialmente de confiança. Necessitamos de resolvê-los rapidamente pois a nossa economia e a nossa sociedade ocidental só funciona com confiança. Aproveitemos as redes sociais para nos esclarecermos em vez de lançar boatos não fundamentados cientificamente ou socialmente e que minam a nossa confiança coletiva. Sem confiança, resta a anarquia.



Félix Rodrigues

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