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Má Governação aumenta a mortalidade do COVID-19


Quem o prova é Andre Rodriguez-Pose que vem no dia 10 e 11 de Setembro à Terceira ao Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (http://www.apdr.pt/congresso/2020/index.html).

Num artigo recente citado na Agenda Europa (http://agendapublica.elpais.com/decay-in-government-quality-and-its-cost-in-covid-19-lives/) Andre Rodriguez-Pose demonstra que os países com as maiores taxas de mortalidade relacionadas ao Covid-19 têm em comum uma qualidade de governação em deterioração nos últimos 20 anos.

As taxas de mortalidade em excesso provêm dos cálculos que John Burn Murdoch tem feito para o Financial Times. As diferenças entre os países são impressionantes. A Islândia, a Noruega, Israel ou África do Sul não registram mortes em excesso nos primeiros cinco meses de 2020, mas a mortalidade em excesso no Reino Unido e Espanha é de 64.200 e 44.000, respetivamente. Em Portugal, por outro lado, o excesso de mortalidade foi - em 294 por milhão - menos de um terço do de Espanha. E na Alemanha, com uma taxa de 101 por milhão, o excesso de mortalidade é inferior a um nono do Reino Unido e Espanha e quase um oitavo da Itália e da Bélgica.

Quais são as explicações para diferenças tão acentuadas entre países que, em princípio, podem ser considerados semelhantes? Os níveis de conectividade internacional e a densidade das principais cidades são apontados como duas causas importantes para a difusão da doença.

A poluição em lugares como Milão, Madrid ou Paris podem ter levado a uma maior concentração de doenças respiratórias. A estrutura etária é considerada outra razão fundamental.

Há, no entanto, um fator importante que os países mais atingidos que passou despercebido até agora. O Reino Unido, a Espanha, a Bélgica e a Itália são os países com maior incidência de excesso de mortes em 2020, mas também são aqueles que tiveram o maior declínio relativo na eficácia do governo, medido pelo Banco Mundial, nos últimos 20 anos.

Por outro lado, Portugal, que resistiu muito melhor à pandemia, a qualidade do governo aumentou ao longo da última década. Da mesma forma, outros países que administraram a emergência de saúde muito melhor, como os países escandinavos, a França, a Alemanha ou a Holanda, também tiveram um desempenho melhor na eficácia do governo.

A deterioração prolongada da qualidade geral do serviço público e da burocracia e sua independência enfraquecida das pressões políticas criaram, com o tempo, uma situação em

que os governos perdem capacidade de implementar políticas públicas eficientes para além de se reduzir a sua credibilidade e capacidade de liderança em tempo de crise. Portanto, a reação da Itália, da Espanha, da Bélgica e do Reino Unido foi mais lenta que a de muitos outros na Europa o que não só prejudicou uma resposta eficaz e coordenada quando o vírus atacou, mas também não conseguiu criar a confiança necessária para mobilizar a população fazendo aumentar em muito a mortalidade.


Texto: Tomas Dentinho

Foto: rethinkingclusters.org


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