• Félix Rodrigues

Mónica Martins é a primeira mulher Chefe de Estado-Maior do Comando da Zona Marítima dos Açores

A igualdade de sexo é algo que defendo enquanto princípio fundamental de respeito mútuo e de mérito. Havia e há desigualdade de sexo em muitas áreas. Não é por haver mais mulheres numa profissão ou cargo que terão que aí estar mais homens, se não houver descriminação e vice-versa.

Porque os tempos estão a mudar, os primeiros são sempre exemplo e é aqui que entra a referência à Comandante Mónica Martins, a primeira mulher Chefe de Estado-Maior do Comando da Zona Marítima dos Açores.

Há hoje publicada no jornal Correio dos Açores uma extensa entrevista com ela.



Texto de Félix Rodrigues


Partilha-se nota da Rádio Hertz da autoria de António Freitas e site da Rádio Renascença, de 2018.

A Comandante Mónica Pereira Martins, nascida na cidade de Tomar, fez parte do primeiro grupo de mulheres a entrar na Escola Naval e, 24 anos depois, está ao comando do mais recente navio da Marinha Portuguesa: o NRP Sines. O Mundo Português na data em que foi a primeira mulher piloto de helicópteros ao serviço da Marinha fez um alargada reportagem. Recordando e segundo o site da Rádio Renascença “Corria o ano de 1994. Na altura, Mónica Pereira Martins tinha 17 anos e fazia parte do primeiro grupo de mulheres a entrar na carreira oficial da Marinha, na Escola Naval no Alfeite”. Mais de duas décadas depois, a agora comandante Mónica Pereira Martins prepara-se para partir ao leme do “Sines”, o mais recente navio da Marinha Portuguesa. É a primeira vez que uma mulher comanda um navio acabado de sair dos estaleiros.

Partiu esta sexta-feira, 14 de dezembro, para os Açores, naquela que será a primeira grande missão do navio. Serão três meses e meio na zona marítima dos Açores. “É, para mim, das missões mais nobres da Marinha, busca e salvamento no mar”, diz, orgulhosa. A comandante deixa em terra a família: o marido e dois filhos, de três e seis anos. “Vai ser das primeiras vezes que vou estar mais tempo longe dos meus filhos… Já se sabia que não ia ser fácil esta conciliação da vida pessoal com a vida profissional, mas tem de se fazer. Felizmente tenho um marido bastante compreensivo, que me apoia bastante”, diz Mónica Pereira Martins, salientando que “esta não é a única profissão em que as mães e os pais, de vez em quando, têm de se afastar fisicamente da família”.

A bordo do navio seguem 46 pessoas, dos 18 aos 48 anos, entre as quais 10 mulheres. O navio foi entregue em julho de 2018. “Ao recebermos o navio, há um processo de certificação do navio, verificar se os equipamentos estão a funcionar em condições. Em setembro e outubro, estivemos a fazer aquilo que se chama ‘plano de treino operacional’, ou seja, um treino e uma verificação de que a guarnição sabe operar este navio”, explica. Agora, estão a postos para partir para a primeira grande missão. O NRP Sines foi construído nos antigos estaleiros navais de Viana do Castelo. “É um navio de guerra, mas não combatente”, esclarece a comandante, acrescentando que o “Sines” foi concebido para desempenhar missões de interesse público – busca e salvamento; fiscalização marítima; combate à poluição e combate ao narcotráfico.

Uma mulher no mundo de homens – Em 1994, ainda se davam em Portugal os primeiros passos para a integração das mulheres na vida militar. “Na altura não percebi bem isso. No início olhava em volta e só via homens – à exceção de outras mulheres que entraram comigo – e perguntámos ‘onde estão as outras mulheres’… ‘Vocês são as primeiras’, responderam”. “Quando se inicia alguma coisa nova, há sempre um período de adaptação não só de mentalidades, mas também em termos físicos dos navios que estavam preparados para ter só homens”, conta. Mónica explica melhor como foi a integração. “O que senti no inicio era demasiada proteção. Não éramos propriamente apaparicadas, mas punham uma redoma à nossa volta que às vezes queríamos fazer algumas coisas e não nos deixavam porque éramos mulheres”, diz. No entanto, com o tempo tudo foi ao lugar. “Dizíamos ‘deixem-nos fazer, estamos aqui para fazer o mesmo que os outros’… E isso foi bem visto, começaram a compreender que nós também sabemos e também conseguimos”. “Hoje é tudo absolutamente normal”, garante.

Marinha vs. Força Aérea – A jovem Mónica que estava a acabar o 12.º ano ainda pensou ser professora de Matemática (e chegou a entrar na Universidade de Coimbra), mas os militares ganharam a guerra. Mónica ainda hesitou entre a Marinha e a Força Aérea. As dúvidas dissiparam-se quando foi fazer os testes na Base Naval de Lisboa. “Eu tive logo oportunidade de ver os navios, ver o ambiente onde ia ser inserida e adorei. Foi assim que tomei a decisão, ter-me sentido muito bem no sítio onde fui fazer os testes e ver a escola que iria frequentar a seguir”, recorda. Mas quis o destino que Mónica acabasse por conseguir juntar o melhor de dois mundos e, em 2006, tornou-se na primeira mulher piloto da Marinha, integrando a Esquadrilha de Helicópteros da Marinha, onde esteve durante 11 anos. Mas afinal o que faz um piloto na Marinha? Mónica responde. “Os helicópteros na Marinha são uma extensão dos navios. Quando um helicóptero embarca, por exemplo, numa fragata vai também um destacamento dos helicópteros. É uma parte do navio que descola e vai mais longe, são os olhos do navio mais longe, tem sensores e armas que o comandante pode operar mais longe do que do próprio navio”, diz. Mónica Pereira Martins é, neste momento, capitão-tenente. Já leva 24 anos de carreira e uma das coisas que já aprendeu é que “há sempre surpresas”. “Já tive situações em que fui destacada para funções que, à partida, gostaria menos e depois adorei a missão”, diz. Já esteve na Somália, já esteve no Mediterrâneo logo a seguir ao 11 de Setembro a fazer embargo de armas, entre muitas outras. Está disponível para qualquer desafio, mas há uma que gostaria de cumprir. “Gostaria muito de fazer daquelas missões de salvamento de refugiados no Mediterrâneo. Acho que é uma missão que todos gostaríamos de fazer, porque basicamente é salvar pessoas e ali a probabilidade de salvamento é bastante elevada”, remata.

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