• Félix Rodrigues

Memórias de epidemias

Texto e foto de Octávio Lima.


«Os dejectos eram lançados nas ruas, pelas janelas das casas, com o aviso: «Água vai.» O cheiro era mau e atraía moscas, percevejos, pulgas.

A peste ressurgira em Outubro de 1579. Mas este surto, em que se calcula que morreram cerca de 35 mil pessoas, não foi tão grave quanto o do decénio anterior – a Grande Peste do Verão de 1569 matou 50 mil pessoas, afectando mais os adultos do que as crianças.

No pico da epidemia, morriam mais de 600 pessoas por dia, cujos corpos já não cabiam nas valas comuns e eram deixados nas ruas a apodrecer ao calor. Quando a família real fugiu da cidade (o rei D. Sebastião foi para Sintra e a sua avó Catarina para Alenquer), iniciou-se um período de certa anarquia que levou à pilhagem de armazéns. Com a crise agrícola que se seguiu (1573-1575), muitos foram os que do Norte e das Beiras fugiram para Lisboa, repondo o seu número de habitantes.»



Sara Capelo, Os estrangeiros que mandaram em Portugal – Matéria Prima Edições 2014

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