• Tomaz Ponce Dentinho

Milhafres para as Flores. Já!?

Desde há anos que penso que não vale a pela recolhermos informação se não temos nada a decidir ou aprender com ela. Parecia-me inútil estar informado sobre a temperatura de hoje na Serra da Estrela porque hoje não vou até lá nem tenho que saber se visto ou não um agasalho á medida.

Estava errado. E só descobri hoje quando me ponho a folhear o livro sobre a Fauna Terrestre dos Açores compilado pela Rosalina Gabriel e pelo Paulo Borges.

Há coisas que podemos aprender nos livros, mas só entendemos quando as vemos e sentimos de perto. E só as sonhamos e recriamos quando ligamos a informação do livro, com o conhecimento, a necessidade e a graça da interação com os outros e com o mundo.

Neste sentido cada descrição do livro da Fauna Terrestre dos Açores é um poema, como alguém dizia mais uma vez com graça no grupo semanal de leitura.


Vamos a ver se explico a ponte entre a realidade e o desenho dela com base no livro da fauna. Começo pelas aves que são mais bonitinhas que os répteis, baratas, ratos e lesmas.

No Açores há registo de 420 aves; no entanto, como acontece com as pessoas, muitas delas estão de passagem. O livro compilado apresenta 61 aves, a maior parte delas descritas por Cecília Melo e Carlos Pereira.

Tenho curiosidade de ver tudo o mais, mas comecei naturalmente pelo Milhafre, Queimado ou Água de Asa Redonda, um Babel de nomes sobre o mesmo real; e aprendi que não existem nas Flores e no Corvo, que se alimentam de pequenos mamíferos e de aves, alguns deles já mortos por atropelamento nas estradas ou, imagino eu, pulverizados pelos aviões; e daí, conjeturo outra vez, os nossos Milhafres serem mais avistáveis nos aeroportos.

Lembro-me agora da proposta de tese de uma aluna que mestrado preocupada com a abundância de ratos nas Flores e porventura no Corvo. Alguns biólogos colocarão sérias dúvidas à introdução do Milhafre naquelas ilhas, mas não impede que se estude o impacto dessa medida. Talvez se poupe mais em raticida e haja menos gente a morrer de leptospirose.

Como vemos a informação que recolhemos não é útil à priori, como pensam os marrões interessados em passar num teste que vai para o lixo. Existe para a curiosidade e essa está-nos cá dentro nas muitas perguntas que se alertam com mais informação e alimentam a imaginação para o gesto bonito de reduzir a leptospirose nas Flores. Milhafres para as Flores, não digo já! mas porventura depois de um estudo. É isso que me faz pensar duas páginas do Livro da Fauna Terrestre dos Açores, a liberdade e a responsabilidade de sonhar o mundo para além do poema. É por isso que é poema.

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