• Félix Rodrigues

Monte Brasil: Um vulcão surtsiano às Portas de Angra do Heroísmo

Leontina da Conceição Freitas Rodrigues do Canto apresentou o seu projeto de final de curso (Natureza e Património da Universidade dos Açores) com o título "Baía do Fanal e Monte Brasil – Testemunhos da História Geológica da Zona de Angra do Heroísmo".


A geomorfologia da ilha Terceira apresenta uma forma característica arredondada com uma península bastante prenunciada resultante do extinto vulcão do Monte Brasil. Essa península (Monte Brasil) resultou da acumulação de cinzas por queda directa do material projectado pela erupção de um vulcão submarino. A ligação que, posteriormente se formou entre a ilha e o Monte Brasil, tem cerca de 500 metros de comprimento por 500 metros de largura. Do cimo do Monte, vê-se com perfeição a junção entre a ilha Terceira com o esse extinto vulcão às Portas da Cidade de Angra do Heroísmo.

A erupção do Monte Brasil foi do tipo surtsiano ou surtseiano, caracterizada pelo facto da chaminé ter estado em contacto com a água do mar. Uma erupção surtseiana é um tipo de erupção vulcânica que ocorre em locais de mares pouco profundos. Essa classificação recebeu esse nome em homenagem à ilha vulcânica de Surtsey, na costa meridional da Islândia.

Não se sabe ao certo quando ocorreu a erupção do Monte Brasil, mas foi certamente há mais de 20.000 anos, com explosões violentas e formação de nuvens ardentes. As nuvens ardentes podem formar-se numa erupção explosiva, sendo composta por uma mistura quente de gases e material sólido que se desloca a elevadas velocidades. A erupção criou na ilha Terceira uma angra abrigada, em torno da qual se instalou a cidade.

É frequente, nas erupções vulcânicas mais violentas, a formação de uma mistura de materiais sólidos incandescentes de dimensões variadas (cinzas, bagacina, bombas e blocos), bem como de gases a elevadas temperaturas (cerca de 1000º C).

Geológicamente a baía de Angra apresenta fundos formados por escoadas lávicas de natureza basáltica em grande parte recobertos por escoadas piroclásticas do tipo surtseiano (tufos palagoniticos) com origem no vulcão que ajudou a definir a própria baía. Estas últimas escoadas piroclásticas que tiveram origem em erupções submarinas, apresentam-se muito solidificadas e compactas.

Damos os parabéns à Leontina pela conclusão desta etapa da sua vida académica.



Texto de Félix Rodrigues, extraído de Ícones Ambientais de Angra do Heroísmo (texto do mesmo autor)

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