• Félix Rodrigues

Não nos entusiasmemos com uma miragem de descida do contágio

Temos hoje em Portugal 19 mortes e 1856 infetados por SARS-CoV-2. Descemos relativamente a ontem em relação ao número de casos mas subimos em relação ao número de óbitos. Hoje era previsível que o número de infetados descesse, dado o efeito de fim de semana.

Podíamos classificar os números de infeção dos países por A.C. e D.C. Os países com valores A.C. (antes da China ou inferiores à China) estão muito mais controlados, mas a correr para o descontrolo, e os D.C. (depois da China, ou acima da China) estão descontrolados, como é o caso de Portugal. Quando entrámos na curva exponencial perdemos o controlo, o que significa que não podemos continuar a fazer o que fazíamos. Cada um está neste momento entregue a si próprio, às suas decisões e tem que tentar não apanhar o vírus nem ficar doente de qualquer forma porque o SNS está a dar sinais muito preocupantes de falta de resposta. O SNS já não tem capacidade física para fazer testes, não é propriamente capacidade técnica para fazer os testes, é para recolher as amostras ou agendá-las. Também já não tem capacidade de informar com discernimento os resultados dos testes, pois no grande volume de dados, basta a troca de um ou dois nomes que tudo fica extremamente baralhado e passa a exigir-se uma revisão exaustiva desses dados pelo mesmo pessoal que já está sobrecarregado a recolher amostras para análise.

Por livre iniciativa, especialmente se circularem em zonas urbanas com muita gente, usem a aplicação móvel. Isso dá-vos uma ideia de quais são os trajetos a evitar e a pensar nos melhores trajetos, mas para isso é preciso que quem esteja infetado também introduza o código da sua análise positiva na App Stayaway Covid para que essa informação seja útil a muita gente. O ter estado perto de um infetado, de dois, três, etc, não significa que se foi infetado, ou que se infetou alguém numa fase assintomática, mas a probabilidade não é nula. Essa informação faz-nos escolher andar numa rua ou noutra e ter preocupações adicionais relativamente ao afastamento das outras pessoas. Estar perto de um positivo não significa que terá que ir a correr fazer o teste, pois no atual momento, dificilmente o conseguirá fazer. Significa apenas mais cuidado consigo e com os outros.

Apareçam os números que aparecerem nesta fase, com efeito de fim de semana ou não, se os números não descerem de forma matematicamente consistente durante as próximas duas semanas, quer isso significar que tudo vai piorar.

Anteontem previa para ontem um maior número de infetados e mortes, felizmente as mortes desceram para 13, mas continuam a crescer em média. Quanto ao número de infetados oficiais, que efetivamente baixou, isso é um mero percalço de contabilização ou de amostragem. Só na próxima quinta-feira ficaremos com o retrato mais aproximado da infeção no país, percebendo que quando um infetado está em casa com a sua família, e que ninguém sai de casa ou faz análises porque não há respostas de delegados de saúde ou do SNS, os números terão que ser vistos na ótica da realidade, e relativizada, a “oficialidade”, se bem que, todos os modelos são feitos com os dados oficiais por serem os únicos efetivamente medidos, mas percebendo-se que a realidade estará sempre subavaliada.

Fotografia ilustrativa de 101% Física.



Félix Rodrigues

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