• Félix Rodrigues

Na aproximação do Dia Nacional do Psicólogo (4/9/2020)

Partilha-se artigo de Pedro Almeida Maia com o título:

FADIGA DA COMPAIXÃO: A ROTINA DOS CUIDADORES

Em períodos de crise, há profissionais sujeitos a um maior desgaste emocional, sobretudo nas ocupações que envolvem cuidar do outro. A fadiga da compaixão considera-se um risco psicossocial de quem recorre às próprias emoções para promover uma terapia ou cura — uma espécie de custo psicológico do ofício. Abordaremos o seu impacto em psicólogos, embora afete psiquiatras, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros cuidadores. Ocorre quando se interioriza a dor de clientes/pacientes que sofrem stress ou trauma. Num artigo recente da American Psychological Association (APA), a fadiga da compaixão é referida como uma preocupação crescente devido à pandemia. Aconselha-se uma maior automonitorização dos sinais de angústia ou desgaste, antecipando quadros de burnout. O esgotamento pode incluir “sintomas de depressão e ansiedade, exaustão física e emocional, menor prazer no trabalho rotineiro e mais discussões”. Outro componente da fadiga da compaixão é o “stress traumático secundário, ou a exposição direta ao trauma, também denominada de sobrecarga de empatia, que inclui pensamentos intrusivos, hipervigilância, dormência ou sensação de não ter mais nada para dar”. Os psicólogos e outros cuidadores são treinados para a empatia — ou para a compreensão empática — e para gerir as próprias emoções. No entanto, existindo sinais, uma das formas de medir a qualidade de vida profissional é a utilização da ferramenta ProQOL. É importante reforçar hábitos diários de autocuidado. Os dias devem ser previsíveis e incluir um check-up matinal para avaliar a tensão dos músculos e as preocupações mentais, sono equilibrado, nutrição saudável, atividade física, relaxamento e socialização. Pode ser necessário reconstituir crenças da autoestima, para garantir que alguma diversão ou um simples dia de folga sejam dignos e sem remorsos. De acordo com a APA, os psicólogos e cuidadores enfrentam hoje dificuldades idênticas às das pessoas de quem cuidam, tais como “insegurança, incerteza, preocupações financeiras e rotinas alteradas”. Mas apesar de serem capazes de trabalhar muito e de produzir excelentes resultados, tendem a ser exigentes e perfecionistas, o que amplia o risco de exaustão. Para reduzir os níveis de stress, podem recorrer à autocompaixão, “dedicar tempo à reflexão sobre qualquer ferida que surja, respeitando o facto de também serem humanos”. É fulcral evitar o isolamento, manter o contacto com a família, colegas e amigos que compreendam a fadiga da compaixão. Se possível, ajudar outros profissionais a lidarem com dificuldades similares. Tal como o burnout, a fadiga da compaixão não se manifesta de um dia para o outro; instala-se gradualmente, daí a hesitação em pedir ajuda — parece que estamos sempre igual a ontem. Uma parte da solução está na interajuda: ajudar outros profissionais, comunicar, manter contacto, ou a intervisão pode melhorar o bem-estar de todas as partes envolvidas e facilitar o pedido de socorro. Mas cuidar de outras pessoas tem um outro lado incrivelmente bom: a satisfação da compaixão. É fulcral enaltecer esse prisma recompensador da atividade dos psicólogos e cuidadores, continuar a comemorar vitórias e a praticar a gratidão. É o objetivo que mais contribui para a satisfação, bem-estar e motivação destes profissionais.

in jornal Açoriano Oriental, 2 de setembro de 2020



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