• Félix Rodrigues

Novo crescimento da Covid em Portugal, mas não podem decrescer os atos médicos por causa disso

Todos os dias tento analisar, desde o início da pandemia em Portugal a situação do país. Para alguns as análises têm sido úteis, para outros nem por isso ou até mesmo parecem funcionar em sentido contrário: irrrita-os. Acredito no que faço e na sua utilidade, caso contrário não me daria a esse trabalho diário. Se a epidemia cresce digo-o, se os valores são irregulares também o digo e se não os entendo também. Quem se incomoda, não deve ler. Tento partilhar informação objetiva, mas acredito que por vezes não o consiga.

A gestão da saúde pública não se faz com decretos, faz-se com informação e “concertação”.

Ontem dizia que os números diários não eram representativos da situação real (688 casos) apesar desse número ser elevado. Isso tem a ver com tendências e modelos matemáticos, não tem nada a ver com adivinhação. De facto os números de hoje são piores (825 novos casos) do que ontem e tenderão nos próximos tempos a piorar, ou seja, a aumentar. Significa isso que devemos entrar em pânico? Não. Significa que temos que redobrar cautelas em determinadas regiões do país. O que fazer é aplicar as regras básicas que conhecemos, e andar à procura de outras, pois enquanto não houver uma solução tipo vacina ou medicamento para travar a infeção, vamos ter que viver com ela. A infeção chega cada vez mais longe e por exemplo hoje, há mais um caso na ilha de São Jorge. Duvido que hoje os jorgenses tenham a mesma reação que tiveram quando apareceu o primeiro caso na ilha aquando da primeira vaga. Entre uma coisa e outra aprendeu-se. Ainda bem que detetamos casos, mas um caso, dois, três, meia dúzia não é um grave problema de saúde pública nem razão para entrarmos em pânico se todos soubermos como agir e os infetados controlados e agindo racionalmente.

Hoje recomecei as minhas aulas presenciais e não me senti ameaçado, mas a rotina foi diferente. Se entretanto algo se descontrolar, apenas me tenho que questionar se avaliei bem o risco. Espero não errar e errarei menos se tiver dados. Não quero que as minhas más avaliações ponham em risco a saúde de ninguém.

Os casos vão-se acumulando e em Portugal já ultrapassamos a marca dos 75 mil infetados (75542 casos) e os 1971 mortes. O número de mortes é preocupante. As sequelas que vão ficando e que não sabíamos que existiam vão aparecendo, mas não podemos deixar de viver nem tão pouco deixar de cuidar dos doentes.

Segundo notícia recente desde o início da pandemia apareceram 1000 cancros em Portugal que não foram diagnosticados. A Covid acresce a preocupação, não pode de modo algum ser um critério para desvalorizarmos uma coisa em detrimento de outra. É preferível identificar 1000 cancros do que identificar 1000 casos de Covid. O esforço tem que ser feito no sentido de minimizarmos todos os impactos da pandemia sem fazer com que tudo tenha que girar à volta dela.

Fazer campanha política com a gestão da Covid é um erro. A campanha deve ser feita com a boa gestão da saúde.



Félix Rodrigues

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