• Félix Rodrigues

Novo máximo diário absoluto do número de infetados em Portugal

Tal como referia ontem na minha análise, era perfeitamente previsível que o número de novos infetados subisse de ontem para hoje, apesar de termos o efeito de fim de semana. O efeito de fim de semana tem vindo a prolongar-se por falta de meios e de respostas analíticas na segunda-feira. É por isso as análises se acumulam por mais de 24 horas ou por vezes por mais de 48 horas.

O novo recorde máximo diário absoluto de infetados em Portugal (2535 novos casos) coloca-nos com um acumulado de 106 271 infeções. A partir de agora, começaremos a contar o acumulado aos milhares em vez de ser às centenas.

O número de óbitos na última semana tem-se mantido constante, e o efeito dessa grande infeção de hoje só se começará a traduzir em números de morbilidade e mortalidade para a semana.

É claro que também na Europa a infeção está descontrolada, pois só hoje contabilizaram-se 927 mil infetados na União Europeia. Pode-se afirmar que Portugal contribui para esse montante com 0,27% que não é proporcional à sua população (2% da população da EU). Isso significa que em termos relativos estamos melhor do que a média da União Europeia, mas isso não interessa muito, porque o que de facto interessa é darmos respostas capazes em termos de serviços de saúde, sejam eles públicos ou privados.

Se a pandemia continuar a crescer num ritmo exponencial, o governo terá que deixar cair a sua posição ideológica de não querer os privados a colaborar no controlo da pandemia. Se pensarmos que ainda estamos longe do caos no SNS, refira-se que num crescimento exponencial facilmente se esgotam os 28% da capacidade de internamento no SNS e os 29% da nossa capacidade de internar doentes nos cuidados intensivos. Os números não apontam para qualquer abrandamento, mas sim para o seu contrário. Não é em cima dos acontecimentos que se encontram soluções tipo “penso rápido” mas sim com antecedência.

Planear antecipadamente é o que se exige numa gestão da pandemia que não é o mesmo que gerir uma crise de orçamento, se bem que uma coisa e outra possam estar ligeiramente relacionadas.

A fotografia ilustrativa é do "Jornal do Luxemburgo.



Félix Rodrigues

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