• Tomaz Ponce Dentinho

O Liberalismo é o Melhor Amigo do Ambiente - por José Luís Parreira



Um estado que pretenda controlar ou apoiar alguns sectores da economia acabará muito provavelmente a financiar objectivos que se contrariam.

Por exemplo, vejamos o caso do Hotel Terra do Mar construído numa Fajã da Ilha Terceira: a Fajã do Fisher. Uma Fajã é um ambiente com características únicas, tais como a biodiversidade, a paisagem, o acesso dificultado e outros desafios e benefícios que tem a oferecer e que, naturalmente, as populações locais gostam de ver preservadas. O meu ponto nem é o investimento de milhões comparticipados por fundos comunitários, que só por si já é financiar os negócios de uns à custa do trabalho dos outros, mas sim a abertura de uma estrada em asfalto para permitir o acesso de autocarros ao complexo turístico. Ora, a abertura de uma estrada desta natureza contraria o esforço de preservação das populações durante séculos. Então os nossos antepassados penaram tanto para ter as suas vinhas, abriram canadas e atalhos por onde passavam com esforço, formaram gosto para construir as suas casas enquadradas com a paisagem e agora abre-se uma estrada que ninguém assumiria os seus custos caso não fosse a pressão e o financiamento do governo. Do ponto de vista ambiental, o impacto ainda é mais significativo. Hoje o acesso dos visitantes à zona balnear da fajã é feito por carro, já que há espaço para estacionar, ao invés de ser feito por alternativas mais moderadas e sustentáveis, como a pé. Consequentemente, dada a inclinação e dimensão da estrada, o consumo de combustível é maior. Portanto, ora se investe no turismo, ora se subsidiam reservas naturais. Ora se compram carrinhas eléctricas para os municípios, ora se constrói uma estrada numa Fajã: os custos somam-se, mas os efeitos anulam-se.

Liberdade económica também é assumir responsabilidades dos investimentos e poupar recursos. Os holandeses não andam de bicicleta frequentemente porque se preocupam com o ambiente, mas porque é um meio de transporte barato. Quanto ao papel do estado, não há qualquer dogma nos princípios fundamentais do liberalismo contra o financiamento público ou atribuição de subsídios desde que estes visem beneficiar a comunidade como um todo e não o beneficiário. E, claro, desde que a comunidade tenha consciência dos seus custos. Assim, há uma larga margem para a acção dos governos, sem interferir com o mercado. Estes podem agir criando as estruturas necessárias para a sociedade funcionar livremente, como as ciclovias, negociando os apoios à agricultura com base em objectivos ambientais ou pagando ao proprietário de uma floresta que seja importante para a comunidade de modo a igualar os benefícios que ele obteria se se dedicasse a outra actividade. Enquanto cá, as compensatórias dadas à lavoura estiveram associadas à quota leiteira e agora ao número de animais e terrenos, em alguns países estão associadas ao ambiente. Por exemplo, há uma ribeira que passa na exploração, então paga-se para aumentar a ribeira. A diferença é bem visível na organização das explorações e limpeza do espaço envolvente.

Por fim, só um crescimento económico de pelo menos o dobro do nosso é que permitirá que a maioria das pessoas venha a ter acesso a estilos de vida que, por enquanto, só estão à disposição de poucos, como seja, investir em energias renováveis em casa, comprar viaturas mais recentes, económicas ou menos poluidoras e tempo para adoptar hábitos de vida mais sustentáveis. Portugal está estagnado há 20 anos. São 20 anos sem ver o salário médio a aumentar e a sermos ultrapassados por países como a Estónia, a Eslováquia e a República Checa. Estes países entraram depois de nós na união europeia e são frequentemente acusados da saída de muitas empresas do nosso país por terem impostos e salários mais baixos. Hoje, crescem ao dobro de nós e, na Estónia, por exemplo, ganha-se em média mais 800 euros do que cá. Há uma alternativa! É preciso emagrecer o estado e libertar recursos que ele hoje controla. As pessoas já recebem pouco e aquilo que se lhes retira é aterrador. A economia crescia e o ambiente agradecia.

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