• Félix Rodrigues

O número de óbitos está a crescer, em média, e a infecção também

A semana passada tinha previsto, a partir das tendências dos vários períodos da pandemia em Portugal, que atingíssemos os 1000 casos diários de infeção no país. O número mais elevado desta semana foi 899 casos diários (ontem), com números a variarem tanto que tal previsão não aconteceu, apesar de sabermos que os casos reais são muito mais do que os casos não detetados, todavia, a previsão assentava em dados oficiais e isso não aconteceu.

O número de casos diários de hoje (884 com um acumulado de 72939 casos) são muito próximos dos de ontem mas o número de mortes aumentou drasticamente. Temos hoje registados 8 óbitos o que é um crescimento que indicia maior infeção do que aquela que está a ser oficialmente registada.

Há duas razões fundamentais para as previsões não funcionarem em termos de propagação da infeção:

a) Alteração do comportamento das pessoas, e se assim for, é um bom sinal,

b) Má qualidade dos dados por falta de sistematização que entroncam noutros problemas como a perda de controlo das cadeias de transmissão, falta de pessoal no tratamento e contabilização de dados ou falta de um controlo geral ou de regras claras dos períodos em que os dados devem ser introduzidos no sistema.

Os Estados Unidos atingiram hoje, tal como era esperado, os 7 milhões de infetados e a Índia atingirá muito brevemente os 6 milhões de infetados. A infeção mundial continua a crescer e muitos países enfrentam uma segunda vaga mais forte do que a primeira.

Em Portugal, Marta Temido, assume que estamos na terceira vaga. Tal como referido anteriormente isso não é um mero pormenor em epidemiologia, pois significa que quando começa a aparecer uma segunda vaga, claramente esperada porque surgiria após o desconfinamento deveríamos ter tido medidas adequadas que evitassem uma terceira. Isso também significa que não conseguimos encontrar “fatores de controlo” na segunda vaga, que nos permitissem ser mais certeiros nesta terceira vaga. Aprendemos pouco.

Continuamos no país não só a caminhar rapidamente para as 2000 mortes por Covid-19 mas também para um período onde os dados da letalidade se vão confundir muito entre letalidade da SARS-CoV-2 e a letalidade da gripe sazonal. Significa isso perda de informação e como consequência diminuição da qualidade da gestão pública. Cada vez mais se apela aos comportamentos informados, criteriosos e racionais dos cidadãos. Na última semana houve letalidade acrescida relativamente à média das mesmas semanas de anos anteriores. A forma que teremos de perceber se a letalidade por Covid aumenta e que não resulta de gripe é através da mortalidade acrescida, todavia isso poderá não ser claro em situações de coinfecção.

Vamos entrar numa fase nova da pandemia onde será difícil garantir que a Covid-19 matará com o mesmo padrão que conhecemos até agora. O que é facto é que os mais idosos e as crianças são sempre os escalões etários que mais proteção necessitam. É preciso uma atenção redobrada nas escolas e nos lares de idosos para evitarmos coinfecções.



Félix Rodrigues

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