• Tomaz Ponce Dentinho

O Novo Equilíbrio Económico Mundial no período Pós- Covid

(João Luís César das Neves, 29 de setembro de 2020, Conferência para os Alunos de Pós-Graduação e Antigos Alunos da Universidade Católica)



A Palestra do Professor João Luís César das Neves teve uma audiência superior a 250 pessoas, envolvendo alunos, ex-alunos e docentes da Universidade Católica.

Começou por dizer que na época pré-covid o mundo estava em forte desequilíbrio, próprio de uma fase de crescimento acentuado designadamente a partir do começo do século XXI.

De acordo com João Luís Cesar das Neves, este tempo em que tudo muda, é também um dos períodos mais notáveis da história do mundo com uma redução generalizada e acentuada das taxas de pobreza em todo o mundo com exceção da África Subsaariana. E isso deveu-se, de acordo com o professor a cinco causas fundamentais:

1) A globalização possibilitada pelas mudanças de governo na China em 1978, na União Soviética em 1985, na Europa de Leste em 1989 e na Índia em 1991, tendo provocado o aumento do crescimento relativo dos países mais pobres, a redução acentuada da inflação, e um muito maior fluxo de bens, de serviços de capitais e de pessoas.

2) A digitalização que, associada à liberalização das telecomunicações, permitiu que praticamente toda a gente do mundo tenha telemóvel, possa aceder a informação global e consiga comunicar com um custo muitíssimas vezes menor do que anteriormente.

3) A redução dos custos de capital que baixou fortemente as taxas de juro, mas que resultou também em falhas e aprendizagens na regulação dos mercados financeiros digitalizados.

4) A redução do custo da energia não só devido à inovação e redução de custos das energias renováveis, mas também à redução para metade do custo da energia fóssil com a descoberta da tecnologia fracking que possibilitou extrair petróleo onde dantes era impensável fazê-lo.

5) A revolução na medicina que aumentou significativamente a esperança de vida, reduziu o sofrimento e melhorou a saúde de muita gente.

Estes desenvolvimentos, clarificou João Luís César das Neves, não vieram sem custos, designadamente na incerteza económica e profissional, na desigualdade social e no extremismo político. As épocas de ouro são mesmo assim, épocas de turbulência; diz o professor. A digitalização pode levar ao desaparecimento de muitas profissões rotineiras; a inovação tecnológica está a aumentar a desigualdade social nos Estados Unidos e a mantê-la nos locais onde é mais alta como no Brasil e na África do Sul; e os crescentes movimentos de pessoas, de bens, de serviços e de capitais, associados à globalização estão sobre um ataque político cerrado desde a crise de 2008.

Algumas dúvidas surgem sobre a possibilidade de guerra já que sempre que houve alteração no país hegemónico houve conflitos: Grécia-Pérsia, Atenas-Esparta, Roma-Cartago, França-Inglaterra, França – Alemanha, Aliados-Eixo, Estados Unidos – Rússia, … Mas a verdade é que a última vez que aconteceram conflitos, a guerra foi fria e, provavelmente, não haverá guerra entre a China e os Estados Unidos pois as economias estão fortemente intrincadas.

Outros impactos do Covid nos fatores no desequilíbrio pré-existente são aceleradores de processos anteriores: - a turbulência e incerteza agravaram-se juntamente com o medo; - a desigualdade entre novos e velhos e entre pobres e remediados tornou-se medonha; e o radicalismo também acelerou embora o Covid possa vir a melhorar a imagem do Estado. Em suma o mundo será mais pobre, mais medroso, mais desigual, mais limpo, mais endividado, mais fechado e mais digital.

No caso de Portugal é relevante perceber que o país teve taxas de mortalidade reduzidas quando comparada com a Bélgica, a Espanha, o Reino Unido, a Itália ou a Suécia, mas teve um impacto na economia apenas melhor que o Reino Unido, a Espanha e a França tendo tido pior desempenho na crise que muitas outras economias. Por outro lado, quando se compara a crise presente com crises económicas do passado verificamos que estas têm uma redução do PIB de no máximo 5% (o verão quente de 1975) enquanto que na crise atual a redução do PIB no segundo semestre foi de cerca de 17%.

João Luís César das Neves comparou o consulado de António Costa com o Fontes Pereira de Melo, António Oliveira Salazar e Cavaco Silva tendo todos eles começado com o controle das finanças e prosseguido com obras de fomento do país. E concluiu dizendo que provavelmente António Costa fará o mesmo, agora com o dinheiro de Bruxelas e esquecendo a dívidas. Talvez, digo eu, pois as dívidas comprometem fortemente o crescimento.

No período de perguntas e respostas João Luís César das Neves disse que grande parte das viagens de negócios acabaram e que as velhas companhias de bandeira vão desaparecer sendo substituídas por mais low cost. Referiu que aumentou e vai aumentar a consciência ambiental. Denunciou que o Plano Costa e Silva é só para entregar em Bruxelas. Ajuizou que, embora defensável, não vai haver uma descida de impostos, e que o turismo vai renovar-se e renascer e que Portugal vai sobreviver.

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