• Félix Rodrigues

Os 700 infetados previstos para ontem, afinal aparecem hoje (770 novos casos)

Ontem dizia-se que havia um “delay” nos dados portugueses, esperando-se haver mais de 700 novos casos. Apareceram hoje. Hoje temos 770 novos casos em Portugal, com uma dezena de óbitos. Isso não é nada bom, pois entramos num crescimento exponencial.

Ultrapassamos a barreira 66 mil casos de infeção e tenderemos a aumentar de dia para dia. A mortalidade passa a ser preocupante, pois situa-se sensivelmente a metade daquela que tivemos na primeira fase. Acumulámos até hoje 1888 óbitos por Covid-19.

O destaque comparativo de hoje vai para o país vizinho Espanha, que no último dia apresentou 11 193 novos casos de infeção. O máximo da primeira vaga espanhola foi de 9 630 casos diários. O máximo desta segunda vaga foi de 27 404 casos diários.

Qual a diferença entre a catástrofe da primeira vaga espanhola e a diferença desta segunda vaga que é quase o triplo da primeira?

Na primeira fase morriam mais de 1000 pessoas por dia em Espanha e agora morrem cerca de 100 pessoas por dia, ou seja, a letalidade baixou muito daí que uma infeção maior implica mais assintomáticos e mais proteção dos grupos de risco.

Em Portugal passamos de uma mortalidade de cerca de 36 pessoas por dia para uma letalidade de 10 pessoas por dia. Assim, verifica-se que a letalidade na Península Ibérica tem vindo a descer, mas a infeção a subir.

Se o objetivo for diminuir a letalidade, Portugal está num caminho medianamente aceitável, mas se é garantir o funcionamento da economia, está num mau caminho. Quantos mais infetados houver, mais quarentenas existirão e maiores serão os impactos no emprego.

Basta fazer contas: Com 1000 infetados diários, teremos cerca de 3000 pessoas por dia confinadas (infetados e coabitantes de infetados), o que dará ao fim de um mês (tempo médio de recuperação), 90 000 pessoas sem trabalho, das quais, apenas cerca de 300 morreram. É preciso planear e muito bem e estar atentos pois uma infeção não afeta apenas um e um só indivíduo e não prejudica uma e uma só família.



Félix Rodrigues

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