• Félix Rodrigues

Os Açores precisam de dinamismo

Partilha-se aqui a entrevista do Professor Tomás Dentinho, concedida ao jornal Diário Insular, com o título: TOMAZ DENTINHO, ECONOMISTA E ORGANIZADOR DO 27º CONGRESSO DA APDR"

Economia regional precisa de gente para "interpretar e agir".

O Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (ADPR) realiza-se, em setembro, na ilha Terceira, com nomes como Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior ou Assunção Cristas, professora na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e ex-ministra do Mar.

Este evento, que conta também com a presença de Ricardo Serrão Santos, ministro do Mar, e de vários investigadores estrangeiros, acontece nos dias 10 e 11 de setembro, no TERINOV- Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira.

A sustentabilidade da gestão do mar na perspetiva do desenvolvimento regional será o ponto de partida deste 27º congresso, que toca vários outros temas.

A "catástrofe"


Tomaz Dentinho, responsável pela organização, afirmou ao DI que o congresso se realiza numa altura em que a economia açoriana "está a passar duas crises em simultâneo".

"A crise do Covid-19, como em todo o mundo, mas que numa região em desenvolvimento turístico tem um impacto relevante. A crise da dívida pública regional, feita em projetos inviáveis e pela aposta sancionada por Bruxelas e por Lisboa da criação de uma sociedade dependente", sustentou.

Estarão na Terceira Peter Nijkamp, Andrés Rodriguez-Pose e Eduardo Haddad, todos da presidência da Regional Science Association International.

O economista acredita que a visão de Haddad seria também útil para os Açores. "O trabalho feito pelo Professor Eduardo Haddad para o Estado de São Paulo - com um modelo semelhante ao que fez para os Açores - permitiu gerir a abertura da economia, município a município e assim salvar 300000 empregos. Se usássemos o modelo feito para os Açores como o Professor Haddad está a fazer para São Paulo mobilizado pelo Governo do Estado, certamente não teríamos impacto negativo nas ilhas que não têm casos Covid-19 ou que se vão libertando dos casos", salientou Tomaz Dentinho.

"Por outro lado, o trabalho feito para a Europa pelo professor Andrés Rodriguez Pose e que resultou na política europeia de place-based policies, associado ao trabalho que tem feito, mais recente, sobre a influência das más instituições na pobreza dos povos, naturalmente que tem terreno para aplicar nos Açores, onde a dependência e degradação das instituições atrasa a Região, como o Governo de Sócrates atrasou o país. Mas mais uma vez é preciso que haja gente para ouvir, perguntar, interpretar e agir. Não sei se haverá. Tenho a impressão de que preferimos a catástrofe à mudança, mas da responsabilidade para com os nossos filhos não nos livramos", refletiu.

DI publica, quinta-feira, a entrevista na íntegra com Tomaz Dentinho, também professor da Universidade dos Açores.

A organização espera perto de 40 pessoas no local e cerca de uma centena online.

A associação

A APDR, criada em 1984, é a secção portuguesa da European Regional Science Association (ERSA). Conta com 160 membros.

De acordo com o site da associação, esta visa "contribuir para a inovação, aprofundamento e divulgação de conhecimentos no âmbito do desenvolvimento regional, promover a troca de informação e experiências entre os seus associados e profissionais de instituições diversas, promover o encontro entre as diferentes disciplinas envolvidas e fomentar a colaboração entre a Universidade e a Administração Pública, tendo em vista uma mais estreita ligação entre o conhecimento científico e a prática do desenvolvimento regional".



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