• Tomaz Ponce Dentinho

Ou morre a Estratégia ou morre Portugal

O PIB vai cair 10%, a dívida vai subir 20% com juros que comprometem a recuperação, o mundo desenvolvido também em crise não poderá receber os emigrantes Portugueses e, como isso não chegasse, aparece um guru que quer gastar o dinheiro que nos querem dar para nos mantermos na Europa com mais dívida e equipamentos europeus importados, para que logo à partida recuperem a suposta dádiva.



Bem sei que a televisão estatal e todo mundo pensante querem dar crédito a essa nova miragem porque, apesar de tudo, o gasto de dinheiro sempre dá umas comissões e poderzinhos a quem se coloca a jeito.

A questão é que ainda não nos esquecemos das visões de Sócrates que encantaram o país e alimentaram corruptos, nem das visões de Cavaco que construíram pontes para valorizar terrenos pobres da margem sul e, se formos um pouco atrás na história, certamente lembramos as grandes obras públicas de João V, Pombal, Pacheco e Fontes que precederam bancarrotas e revoluções e que nos colocaram mais longe de todos. Dívidas para projetos megalómanos de “encher o olho” fazem colapsar famílias, municípios e países. Basta fazer contas.

Vamos às medidas propostas pelo Professor António Costa Silva. O mínimo que deveria fazer era dizer quanto custam e qual é o benefício no primeiro ano, porque é nessa altura que temos que pagar ou com impostos ou com mais dívida.

1) Fundo Soberano de Fomento para Apoiar Empresas. Parece bem. Já o tinha defendido há dias e António Costa e Silva associa-o a um Banco de Fomento; talvez, se for gerido com regras simples e sérias na concessão de empréstimos para pequenos projetos viáveis cujos juros de risco deveriam servir para amortizar o capital em dívida ano a ano. E com engenheiros e economistas responsabilizados por fazerem passar projetos tecnicamente e economicamente inviáveis.

2) Cultura descentralizada. Que grande disparate. Não percebe que cultura é das pessoas e dos sítios: a agricultura que dá alimento, a cozinha, as festas, a dança, o canto mais a forma como se fazem e pintam as casas e as igrejas. E que por isso mesmo é dos sítios e não do centro. Só é preciso que não esvaziem e adulterem os sítios com florestas e casas nas florestas para que umas e outras ardam e haja mais aviões e helicópteros e casacos daqueles brilhantes que ministros e responsáveis da proteção civil gostam de usar para serem visto na Euronews “Fogos Florestais em Portugal, 50000 hectares queimados”. Só não reportam é que a culpa foi de um aceiro pouco cuidado da EDP.

3) Reforço do Cluster da Defesa. Que grande escândalo. Certamente para que na compra, venda, roubo e devolução de armas surja alguma verba para os oficiais generais das avenidas novas. O que é necessário são portos bons nas ilhas dos Açores e não os que já se sabia que iriam cair passado vinte anos nas Lajes das Flores. E com portos fortes o mar pode ter barcos de pesca a eles ligados para a haja gestão sustentável dos mares em torno com embarcações facilmente transformáveis em navios de política e de guerra. Assim o mar é bem gerido e a partir de cada porto de Portugal. Só assim somos “players atlânticos” como o Professor argumenta. E daí podemos passar para o Índico, e dar uma mão a Moçambique nos seus mares mais a norte na defesa contra o dinheiro do petróleo transformado em terrorismo jihadista que põe irmãos contra primos como vi no Iraque e pressagio no Mali.

Há mais medidas propostas pelo Professor de Minas, como a Universidade do Atlântico que já denunciei; o controle dos reguladores para que haja fiscais, dos fiscais, dos ficais; como nos baratinámos com a formação de formadores que quando fiz a tropa era dada numa hora de bons conselhos. Ainda existe a fábrica da saúde para que os médicos, enfermeiros e farmacêuticos enriqueçam mais a explorar as reformas e poupanças dos mais velhos em vez de deixarem nascer os que estão para nascer.

Também tem a lengalenga dos engenheiros que seriam boas se fossem sempre viáveis e não servissem para valorizar terrenos expectantes um pouco mais além. Como aqueles da OTA em que alguns políticos especuladores tinham feito investimentos. O comboio de alta velocidade Lisboa-Porto, depois dos milhões do pendular que não conseguia pender sem bater no que vinha em sentido contrário. A expansão do metro de Lisboa e Porto e mais uma ponte no Douro. O novo aeroporto de Lisboa tinha que ser em vez de admitir vários que já existem a competir entre si. Tudo isto alimentado por mais discípulos da engenharia que saibam estimar custos com chorudos "coeficientes de cagaço de 50%", mas que não se preocupem com receitas pagas por nós e por quem vier depois (porventura espanhóis, franceses ou ingleses). Neste ritmo falta a tatuagem socialista de um pacto entre o Estado e as empresas para que o Estado assegure a boa gestão das empresas. Que vergonha!

Como acontece com os documentos das Nações Unidas que pretendem agradar a todos sem terem nenhuns resultados, a estratégia também tem uma medida para a qualificação dos portugueses, neste caso só dos que chegam às universidades; as PMEs com produtos nacionais, contra as lojas de chineses, é o que se pode pensar. E para que todos fiquem contentes com o que disserem em uníssono as locutoras de todos os canais: o reforço do social, certamente para menos gente de um país deserto; a ecologia e a água, grandes fontes de rendas fáceis para os jovens turcos do regime; o desenvolvimento do interior onde ainda há votos e corruptos; a habitação social integrada embora certamente cada vez mais longe e sem emprego com os passes sociais de 40 euros; e, para que a venda ao exterior continue e se complete; consórcios internacionais para explorar os recursos naturais.

A única coisa que se pode safar de tudo isto é o Fundo para apoiar as empresas, como disse, devem utilizar os juros de risco de cada ano para amortizarem parte do empréstimo passado um ano. O resto é megalomania, disparate ou traição. Ou morre a estratégia ou morre Portugal!

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