• Félix Rodrigues

Passámos da primeira vaga para a terceira. Onde fica a segunda?

Não interessa quando já tivemos 849 casos de infeção por SARS-CoV-2. Hoje atingimos esse número numa tendência claramente crescente, mas ainda não exponencial, mas quadrática.

É um grande número que leva muitos especialistas a afirmar que nos encontramos numa terceira vaga de infeção. Isso é estranho, pois os mesmos que dizem que estamos numa terceira vaga são os mesmos que negavam a existência de uma segunda vaga. Assim, só em Portugal se passa de uma primeira vaga para uma terceira. Podemos dizer que é apenas uma questão de terminologia. Não é só isso, é muito mais. As vagas exigem controlos, negar a segunda implicou não fazer nada de adicional ao que já se fazia. Negou-a o Primeiro-ministro. Negou-a o Presidente da República. Negaram-na especialistas e políticos.

Estamos numa fase clara de descontrolo e não interessa que o resto da Europa também esteja. Quando quisemos turismo e não controlávamos se estavam ou não infetados, desvalorizámos a saúde pública para valorizar a economia. O que é certo é que na ausência de equilíbrio e estratégias não se tem nem uma coisa nem outra.

Ultrapassámos hoje a barreira dos 68 mil infetados (68025) e a continuarmos assim, Portugal ultrapassará os números absolutos da China. A mortalidade por Covid-19 está baixa (hoje mais 5 óbitos), mas o excesso de mortalidade continua elevado (ontem mais 53 óbitos relativamente à média dos anos anteriores). Se há excesso de mortalidade, há algo que não corre bem no Sistema Nacional de Saúde. Se calhar há mortalidade por Covid-19 que não está a ser contabilizada.

Os políticos ainda não perceberam que não se mente com a saúde pública e que não devem falar do que não sabem nem dominam. Deviam, acima de tudo ter enveredado por uma comunicação de risco eficaz, pela pedagogia epidemiológica, pela aplicação espacial cirúrgica de medidas. Mas isso, dá trabalho….É mais fácil fazer espetáculos com listas de honra e mudanças de Secretários de Estado que não conhecíamos por outros que também mal conhecemos.

Cada um de nós tem que fazer autoformação e esquecer muitos dos ensinamentos sobre a pandemia ministrados pela Direção Geral de Saúde. Também esta já passou da primeira vaga para a terceira, negando a existência da segunda.

Distinguir o que é correto do que não é exige esforço e conhecimento.




Félix Rodrigues

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