• Félix Rodrigues

Pelo menos 6400 açorianos já estiveram infectados, de acordo com peça jornalística do Diário Insular

Partilha-se peça jornalística do jornal Diário Insular, da autoria da jornalista Helena Fagundes.


Os resultados preliminares do Inquérito Serológico Nacional, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, revelam uma seroprevalência de 2,6% de infeção por SARSCOV2, o vírus que pode provocar a doença Covid-19, na população açoriana.

Se a percentagem for aplicada aos 246 772 mil habitantes que, segundo os Censos de 2011, existem nos Açores, isso significa que 6416 pessoas terão sido infetadas com o novo coronavírus.

Os dados são relativos ao período até oito de julho.

A nível nacional, a seroprevalência global situou-se em 2,9%, com Lisboa e Vale do Tejo a registar 3,5%, o valor mais alto do país. A taxa foi de 1,2% no Alentejo.

O estudo não encontrou "diferenças significativas" entre regiões e os resultados deixam claro que todo o país está longe da chamada imunidade de grupo.

Segundo os especialistas, esta imunidade de grupo é apenas alcançada quando entre 45 a 70% da população desenvolveu já anticorpos contra o vírus.


"A infeção pode ter começado mais cedo"


Os resultados apurados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge coincidem com os projetados num estudo desenvolvido, em janeiro deste ano, por Félix Rodrigues, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores (UAç), e por Cidália Frias e Rosa Carvalhal, da Escola Superior de Saúde da UAç, que o entregaram ao Governo Regional.

Segundo Félix Rodrigues, em declarações ontem prestadas ao DI, o estudo previa que "ao longo deste ano houvesse seis mil infetados nos Açores".

Como se explica a taxa de 2,6% de açorianos que desenvolveram anticorpos quando foram colocadas no terreno medidas de confinamento e de isolamento do arquipélago, como a redução e mesmo a interrupção de ligações aéreas? "Com o confinamento todo que tivemos, isto só pode ter a ver com o facto de existirem muitos assintomáticos. Pode ser explicado também por um conjunto de razões, como a infeção ter começado mais cedo do que pensávamos", refere o investigador da Universidade dos Açores.

Félix Rodrigues acredita que um estudo por ilha deveria mostrar "expressões bastante distintas" do vírus. Em ilhas pequenas, a infeção poderá até ser "maior do que prevíamos".

Mas, "no fundo", diz, serão sempre as maiores ilhas dos Açores "as que mais contribuem para esta taxa de pessoas com anticorpos".

A secretária regional da Saúde, Teresa Machado Luciano, já se pronunciou sobre esta taxa de imunidade. Considerou que a extensão da infeção na população açoriana foi "limitada", refletindo os esforços de contenção empreendidos na Região.

Citada num comunicado do Gabinete de Apoio à Comunicação Social do Governo Regional (GACS), defendeu que "através deste inquérito e dos inquéritos que se vão seguir, vamos monitorizar a evolução da imunidade na Região e adequar as medidas de prevenção".

Segundo o mesmo comunicado, nos Açores foi considerada uma "amostra de 326 análises, de sete ilhas, nomeadamente São Miguel, São Jorge, Pico, Terceira, Faial, Graciosa e Flores"

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, "foi analisada uma amostra não-probabilística (amostragem por quotas) de 2.301 pessoas residentes em Portugal, com idade superior ou igual a um ano, estratificada por grupo etário".

Foram "recolhidos dados demográfico-sociais, epidemiológicos e clínicos, através da aplicação de um questionário e efetuada a recolha de uma amostra de sangue a cada um dos participantes, em 96 pontos de colheita" de sete laboratórios de patologia clínica e em 18 hospitais, entre 21 de maio e oito de julho.



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