• Félix Rodrigues

Portugal cresce e muitos nos vamos perguntar: Quem me infectou e quem infectei?

Tal como ontem referia, esperava-se que a notícia de abertura dos telejornais fosse: Portugal duplicou o número de infetados de um dia para o outro. Ora, isso não é verdade. Isso é resultado de falta de sistematização de dados, de atrasos em análises (nalguns casos levam-se quatro dias a dar os resultados) e de um processo de burocratização da doença. O que se pode dizer é que o país tem uma péssima gestão de dados e isso traduz-se numa má gestão diária da infeção. Há quem esteja pior? Claro que sim.

O número de novos infetados de hoje é de 325 casos, ou seja, mais 14,5% do que ontem e mais 171% do que anteontem. Esses números revelam inconsistência, o que significa que a única coisa a que se deve atender é à média semanal e não aos números diários enviesados. Totalizam-se no país 53548 casos de infeção.

Hoje temos mais 6 óbitos, sem que haja excesso de mortalidade em relação aos anos anteriores. Temos acumulados 1770 óbitos.

Mantem-se a situação de contingência na Grande Lisboa até 31 deste mês.

A Rússia com vacina ou sem vacina caminha para o milhão de infetados com mais de 15 mil óbitos oficiais. A fazer fé nesses números a letalidade russa é muito baixa (1,69%). Não poderemos dizer que isso não está correto porque a letalidade portuguesa diária no momento está nos 1,1%, o que também é muito baixo.

Em termos globais de infeção com números absolutos, o Japão amanhã estará à nossa frente em número de infetados mas não em número de óbitos, o que significa que a letalidade japonesa é menor do que a letalidade portuguesa. Sempre achei e continuarei a achar que fazer contas de infetados por milhão de habitantes é ridículo, excepto, se estivermos a falar de cidades onde a densidade populacional é elevada. Fazê-la por país é pura e simplesmente absurdo, pois não faz sentido porque se admite uma distribuição homogénea da infeção em todos os territórios. Isso é perigoso em termos de imagem, confiança e credibilidade de todas as instituições.

O impacto na visibilidade das instituições, lugares e na saúde mental dos indivíduos, da pandemia, ainda é mal conhecido, mas é óbvio que existe.

O impacto na saúde mental dos indivíduos resulta da quarentena, isolamento e incerteza relativamente ao futuro. Muitas pessoas sentem medo, ansiedade, desamparo, desesperança e desânimo. Alguns sentem culpa e perguntam-se: como fui infectado e quem infectei?



Félix Rodrigues

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