• Félix Rodrigues

Presença humana na Terceira há pelo menos 2530 anos (Notícia do Diário Insular)

Partilha-se peça jornalística do jornal Diário Insular da autoria de Helena Fagundes, com o título:


INVESTIGADOR FÉLIX RODRIGUES LAMENTA "CETICISMO" DAS ENTIDADES REGIONAIS


Peça de cerâmica com 2530 anos encontrada na ilha Terceira




A Grota do Medo, na ilha Terceira, continua a despertar o interesse da comunidade científica. Desta vez, foi encontrada uma peça de cerâmica com perto de 2530 anos no local.

Um artigo publicado na revista holandesa "Archeologie Magazine", por António Félix Rodrigues, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores, e Henk van Oosten, investigador independente holandês, relata a descoberta, que pode começar a mudar a forma como se olha para a história das ilhas e das próprias civilizações arcaicas.

De acordo com Félix Rodrigues, é possível afirmar que "no primeiro milénio antes de Cristo havia gente na Terceira e será muito provável que essa presença humana se estendesse a outras ilhas".

A peça de cerâmica, seca ao sol, é feita de materiais de origem local. A datação foi realizada por carbono 14, pela empresa Beta AnalyticLab, dos Estados Unidos da América. A margem de erro não vai além dos 30 anos.

O objeto foi encontrado dentro de uma construção, que os investigadores admitem que possa ser ainda mais antiga.

Este artigo publicado na revista holandesa de divulgação científica reúne as várias descobertas e os diversos elementos que poderão apontar para presença humana nos Açores pré-povoamento pelos portugueses.

Entre estes estão possíveis columbários na ilha Terceira e em São Miguel, o fenómeno das relheiras ou os maroiços, na ilha do Pico.

Para Félix Rodrigues, os avanços que se fazem nesta matéria serão sempre confrontados com o ceticismo de muitos. "Há cerca de quase 10 anos que esta temática tem vindo a ser investigada, com os recursos que se pode. É claro que todos podemos ter doses variáveis de ceticismo. Há quem possa ser cético até à exaustão", diz.

Quanto às entidades regionais, defende que "estão sempre à espera de alguém que lhes dê a confirmação absoluta, como se existisse um Deus destas coisas, quando a própria Ciência não tem verdades absolutas".

Félix Rodrigues sublinha que tudo indica que existiu pelo menos na Terceira uma comunidade instalada, que "por qualquer razão colapsou ou saiu por sua livre iniciativa".

"Há muitas respostas por dar e este assunto vai continuar a ser estudado, por muito tempo... Temos sempre a narrativa de que existiria dificuldade em cruzar o oceano (e havia), que seriam precisos vastos conhecimentos de navegação, o que nos vem dizer que, havendo uma comunidade, esta sabia ir e voltar. Sabia navegar", afirma.

O professor da Universidade dos Açores sublinha que essa é uma questão que tem vindo a ser, embora que marginalmente, abordada por arqueólogos e historiadores.

"Há muitas lendas medievais, cartografia medieval que não está explicada. Há lendas e narrativas que se conseguem traduzir em alguma coisa que se relaciona com os dados que estão a aparecer", refere Félix Rodrigues.

A descoberta feita na Grota do Medo e publicada na revista científica está a ser notícia por toda a comunicação social do país.



Fotografia de Anabela Rodrigues

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