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Protestos nos Estados Unidos

As imagens são de um país dividido, de injustiça social e espacial intrínseca pronta a rebentar a um qualquer evento mediático. Em Portugal a polícia matou um ucraniano há poucos meses e nada aconteceu. Em França a morte de um africano às mãos da polícia pouco teria gerado se não fosse as manifestações na América. Na verdade, os protestos nos Estados Unidos têm um lado mau na injustiça social e no comportamento da política, mas têm um lado bom na manifestação de muitos contra um mal que importa reconhecer e resolver.

Há muitos afroamericanos perfeitamente integrados da sociedade americana, mas há também problemas estruturais que se tornam incomportáveis quando se transmitem de geração em geração. De acordo com o Censos dos Estados Unidos os afro-americanos ganham 60% do que ganham os brancos e 10% da sua riqueza, bastante diferente que existe noutros países, e embora tenha havido melhorias de 1970 a 2000 as diferenças voltaram a agravar-se no século XXI. Por outro lado, há mais afroamericanos desempregados, emprisionados, ficam na prisão mais tempo e morrem mais do dobro de Covid-19 do que os brancos.

Muitos acreditam que as manifestações são o primeiro passo para que a América examine as falhas trágicas da desintegração do seu país. Certamente isso é importante. No entanto não é suficiente criar leis de proteção de minorias. É fundamental perceber como é que os mais integrados o fizeram e em que contextos conseguiram fazê-lo.

Num pequeno estudo que fiz sobre os contextos em que as pessoas casam e têm filhos intui que as filhas de famílias sedentárias tendem a casar com forasteiros e é possível pensar hipóteses a verificar que refiram a beleza, a inteligência, a dinâmica económica, a religião, a nacionalidade, a estrutura urbana e muitos outros fatores, uns mais manejáveis do que outros.

No entanto se olharmos para a história e mais concretamente para a história dos Estados

Unidos é interessante registar que os portugueses, provenientes dos Açores, de Cabo Verde, do Brasil e de África que casavam entre si e com os chineses, sendo igualmente relevante que o espírito de liberdade dos portugueses da Europa, de África e da América do Sul os fez revoltarem-se contra os ostracismos a que estavam sujeitos antes de se integrarem.

Integração que levou a que os Rodrigues passassem a Rogers, os Oliveira a Oliver, os Martins a Martin, os Pereira a Perry, os Morais a Morris, os Magalhães a McLean, os Souto a Sutton, os Moura a Moore, os Serrão a Serran, os Silva a Silver, os Rocha a Stone, os Madeira a Wood, os Pontes a Bridges, os Fernandes a Frederick, os Costa a Charlie e os Santos a Stan.

O problema é o tribalismo do sedentário, felizmente salvo pela miúda sedentária que se apaixona pelo forasteiro, pela Pocahontas que faz história com o John Smith, pela Carmensita que foge com o marialva.


Autor: Tomás Dentinho


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Foto: npr.org

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